Vale a pena investir para pagar dívidas?

Mais um assunto um tanto controverso, já discutido em outras oportunidades. Após receber como sugestão do Youtube um vídeo da Mirna (canal EconoMirna) tratando deste assunto, resolvi compartilhar algumas ponderações.

A princípio, procure focar no problema (dívida). Ou seja, como diminuir ou impedir o avanço da dívida (até quitá-la). O efeito dos juros compostos está presente nos dois cenários, mas são forças opostas e com intensidades extremamente diferentes – você não encontrará opções de investimento com taxa de retorno suficiente para compensar. O tempo pode ser seu maior inimigo.

Na maioria das vezes, esta questão está presente quando a dívida é grande. A sua capacidade de aporte, neste caso, costuma ser limitada e seu rendimento será sobre um montante pouco expressivo. Por outro lado, a dívida apresentará uma correção muito maior e sobre um montante cada vez mais expressivo. O grande problema é como controlar a evolução desta dívida no decorrer do tempo. Conseguir este equilíbrio com o investimento é quase impossível. Devemos montar uma reserva de emergência desde cedo para nos blindar contra este tipo de situação, não no momento.

Li um comentário no Youtube, do Fábio Ricardo de Barros, que julgo bastante pertinente e resolvi compartilhar:

Se a dívida é muito grande, sinto informar, mas num horizonte curto não há solução.

Nos primeiros meses ela vai só subir, e vão te dar a “facilidade” de pagar em muitasssss parcelas.

Depois de um ano, já começam oferecer desconto, mas ainda assim será difícil um desconto onde você pagará apenas o capital, mas continue tentando.

Perto de cinco anos, quando enquanto a ação não é ajuizada, dá pra conseguir descontos de mais de 90% sobre a dívida com juros, o que significa que, muitas vezes, você vai pagar menos que o capital, mas tenha em mente que nunca mais terá relacionamento financeiro com aquela instituição, bem como outras que fazem parte do grupo.

Mas, se você acha tudo isto confuso por saber que empresas fazem “dívidas saudáveis”, sugiro a leitura deste artigo:

Porque empresas podem fazer dívidas, e você não?

Um ótimo final de semana a todos! 😉

Comprar a casa própria ou viver de aluguel?

Discutir educação financeira tende ser uma tarefa bastante árdua e desafiadora (risos). É preciso romper uma barreira cultural ou de tradições passadas entre diferentes gerações. Quando o tema é “comprar uma casa ou viver de aluguel“, cada um tem uma convicção forte e difícil de ser questionada. Não existe uma resposta única ou ideal. Não é a primeira vez que escrevo sobre o assunto e evito discutir, mas percebo que parte da população não conhece tão bem (ou despreza) as variáveis que estão em jogo. Entendo que a escolha é relativa, no entanto existem fatores econômicos e pessoais que devemos ponderar antes de tomar qualquer decisão.

Trata-se de um tema naturalmente polêmico, complexo e delicado. Até mesmo para produzir este conteúdo, selecionando os principais vídeos (sem abrir espaço para grandes emoções) e ponderando sobre diferentes variáveis, precisei de uma dedicação especial durante a semana. Acredito que foi possível levantar aspectos bem interessantes.

Quando expomos alguns fatores econômicos, mostrando valores, é comum ver pessoas torcendo o nariz, alegando ser algo reprovável por grande parte da população e, muitas vezes, distante da realidade financeira. Ironicamente, é aí que reside o primeiro “equívoco” e ponto de grande polêmica, pois o objetivo da educação financeira visa justamente romper tais barreiras, permitindo a preservação do patrimônio, bem como uma evolução financeira “gradativa e sólida“. Ou seja, são decisões de longo prazo (não significa que seja fácil). O maior problema é que, sem perceber, boa parte da população faz escolhas com visão de curto prazo, o que impede visualizar alternativas mais interessantes e favoráveis no decorrer da vida. Aceite, na maioria das vezes, a evolução financeira é gradativa e o tempo será sempre o seu melhor amigo (cuide bem dele).

Se você acredita piamente que nada disto é real ou não faz sentido, então deve acreditar também que uma pessoa, ao nascer pobre, está fadada a podreza para o resto da vida – o que não é verdade (exemplos não faltam)“.

Chega ser curioso observar o conflito de argumentos. Muitos tentam reforçar suas teses apelando para atitude coletiva e comum, mesmo concordando que a grande parle da população tem dificuldade para mudar o padrão de vida. Seja qual for a razão, isto por si só é bastante contraditório.

Felizmente, a Internet vem mudando este cenário, tornando acessível o conteúdo sobre educação financeira.

Quanto a aquisição da casa própria, existe uma infinidade de possibilidades e razões para a escolha, mas será que realmente sabemos trabalhar o tempo e o dinheiro da melhor maneira possível e a nosso favor? Já adianto que considero fundamental a aquisição da casa própria, apenas não posso negar que algumas condutas influenciarão tanto no sucesso da negociação como na qualidade de vida no futuro. O maior desafio é identificar QUANDO E COMO COMPRAR A CASA. É evidente que existem casos extraordinários que pedem ação imediata para solucionar uma “situação emergencial” – normalmente, quando o tempo não está mais a nosso favor ou a “necessidade falar mais alto”. Não existe uma verdade única.

O objetivo NÃO é conduzir ninguém para uma escolha fixa e única, atém-se apenas em mostrar diferentes perspectivas. Para quem estiver indeciso e avaliando cada situação, vale a pena refletir um pouco mais. Infelizmente, ao ignorar tudo isto, alguns perceberão o peso real de suas escolhas muito tempo depois e com menos opções disponíveis! A vida é assim, colheremos o que plantamos (justo).

Compartilharei a opinião de vários especialistas e blogueiros que atuam neste meio há muitos anos (são nomes com trabalhos bem conhecidos), não é meramente uma questão de opinião pessoal. Para melhor compreensão e reflexão, separei em dois blocos – alguns pontos de vista são até questionáveis, mas, em todos, existe fundamentação baseada em educação financeira.

1. Como minha visão é bastante alinhada com a do André Bona, começarei compartilhando a opinião dele.




Dependendo da fase da vida, o peso dado para determinadas escolhas será diferente.

Existem MUITAS variáveis. Viver de aluguel tende ser mais vantajoso de acordo com o tempo de permanência no imóvel, estágio profissional (principalmente no início), objetivo de vida (como foco nos estudos) ou condição familiar (com parentes na mesma cidade ou considerando a renda familiar), por exemplo. Algumas questões pessoais certamente influenciarão. De maneira geral, o número de variáveis e possibilidades costuma ser muito maior do que aparenta inicialmente.

Não acredita? Buscando melhor perspectiva de vida, minha namorada deixou o interior de MS e dividiu o aluguel de um apartamento entre três amigas. Por mais de dois anos, elas dividiram o aluguel de um imóvel grande, relativamente novo, bem localizado e com o valor absurdamente INFERIOR ao padrão da região (foi um achado; praticamente uma “barata branca”). Nos conhecemos poucos anos depois. Sem sombra de dúvidas, nenhuma delas teria condições de negociar a compra de um apartamento daquele padrão; muito menos naquela fase.

No exemplo anterior, será que o dinheiro pago no aluguel foi jogado fora? Claro que não. Valeu cada centavo. Foi o custo de um padrão de vida relativamente confortável, seguro e economicamente viável (uma vez que puderam dividir tranquilamente). Ainda que seja uma oportunidade rara, jamais estará disponível a você se todos os esforços estiverem concentrados apenas na aquisição da casa própria. Em um primeiro momento, pouquíssimas pessoas acreditariam que uma oportunidade assim seria possível.

Nem tudo são flores… No caso de minha namorada, após alguns anos, suas amigas tomaram rumos diferentes e o proprietário percebeu a insanidade que cometeu e pediu um reajuste insano também (risos). Ela deixou o apartamento, e ajudei na escolha de outro imóvel. Reconheço que, ao ser pego de surpresa, a experiência é desagradável e estressante. Achar outra “barata branca” às pressas é raro (quase impossível).

Em aproximadamente 8 anos, ela passou por duas mudanças. Na última, encontramos um imóvel menor, em condomínio fechado, bastante agradável e com excelente localização – próximo do centro da cidade (com fácil acesso), farmácias e a poucos metros de uma rede atacadista. Foi outro tiro certeiro (vale cada centavo). E o mais importante: “totalmente compatível com a nossa realidade financeira“.

Inicialmente, a ideia de comprar um imóvel com tais características pode ser até tentadora. Porém, o custo de aquisição, nestas condições, é bastante salgado, podendo ser facilmente desproporcional a qualidade do imóvel propriamente (você acaba pagando um “belo” adicional pela localização). O maior problema, no nosso caso, é que não desejamos morar por décadas seguidas neste imóvel e também NÃO entendemos que seja o patrimônio que almejamos no futuro. Novamente, optamos em pagar pela qualidade de vida que a localização oferece; também não faz sentido elevar o custo de vida por um patrimônio que NÃO almejamos. Entrar em um financiamento agora? Nem pensar.

Para fazer escolhas de impacto financeiro e pessoal de longo prazo, não seria mais lógico evitar projeções com base imediatista? Como diz o ditado: “O apressado como cru“. Então, por que escolher um imóvel de qualidade questionável (proporcional ao poder aquisitivo “do momento”), olhando para a renda atual, desprezando a capacidade de evolução profissional e financeira neste mesmo intervalo de tempo? No curto prazo, tudo parece óbvio, bem definido e com limites fixos (não são), por exemplo. Não é bem assim.

Neste intervalo de tempo, muita coisa pode acontecer…

– Há muitos anos atrás, no início da carreira, meu pai acreditou que seria melhor construir uma casa no interior de MG. Naquele momento, além de viável, parecia uma decisão acertada. Ele dedicou tempo e dinheiro neste projeto – uma forma de “garantir” conforto e segurança no futuro. Mas, o rumo foi outro. O que de pior poderia acontecer, não é? A região sofreu com uma enchente severa e a casa ficou coberta pela água (era possível ver apenas o telhado). Após uma reforma essencial, o jeito foi vender. E, fora os passeios de férias, nunca mais voltamos para a cidade.

– Recentemente, minha prima precisou mudar de cidade porque trabalhava em uma filial que encerrou sua atividade na região. Na prática, não sobrou muita alternativa. A decisão ficou entre procurar um novo emprego onde morava, ou mudar para SP. Ou seja, independente da renda, não existiam “opções” (risos). Fora a insegurança da mudança, não havia impedimento ou negócios pendentes (como um imóvel para ser negociado às pressas, por exemplo) – assim o impacto da decisão foi minimizado.

– Fuja de crenças limitantes. Com foco, esforço e dedicação, em menos de 10 anos, sua realidade pode sofrer grandes mudanças. Aliás, conheço um Analista de Sistemas que, em seu “primeiro emprego”, recebia praticamente uma renda de estagiário. Mesmo recebendo pouco, ele persistiu. Ao longo de 6 anos, ele passou por várias correções espontâneas que elevaram sua renda em aproximadamente 5 vezes o valor inicial, isto sem incluir as fontes de renda alternativa com o passar do tempo. Pois é, era algo inimaginável inicialmente.

Será que escolhas tão impactantes no início da carreira, tomando como base a renda inicial, não se tornariam incoerentes ao longo dos anos? Você corre risco de aceitar uma condição de negociação que jamais aceitaria poucos anos depois, mas lhe pareceu a melhor ou a única possível naquele momento.

O comentário sobre reajuste ou correção salarial foi necessário para evitar o bloqueio mental nos próximos vídeos, em função dos valores exemplificados. O segredo não está em quanto você ganha, mas o que você faz com o dinheiro em cada fase da vida!

O importante não são os valores em dinheiro, e sim nossa conduta. A base da educação financeira é muito mais comportamental, mostrando o benefício progressivo de simples mudanças de hábito. Somente desta maneira, quando investimos primeiramente em nós mesmos, o padrão vida tende elevar, mantendo hábitos “saudáveis” e adaptando nossa “movimentação financeira” (ampliará naturalmente).

Se você cultivar o hábito de poupar e investir, uma renda maior permitirá aportes cada vez maiores, diminuindo o tempo necessário para conquistar a liberdade financeira. Por outro lado, se você cultivar o hábito de adquirir bens fazendo empréstimo atrás de empréstimo, a tendência é que, com uma renda superior, seus empréstimos sejam cada vez maiores por entender que é capaz de conquistar bens de padrão superior (vivendo de ilusão, enquanto suportar).

2. Confiram a opinião dos demais especialistas e blogueiros:





Parece muito distante de sua realidade? Não sobraram muitas opções?

Muita calma nesta hora! 😉

Inicialmente, pode parecer que os exemplos reflitam apenas a realidade de pessoas ricas. Aliás, é outro pensamento um tanto questionável, ainda mais se levarmos em consideração que uma pessoa realmente rica é capaz de fazer a escolha que julgar mais interessante (ou vantajosa) a qualquer momento e sem mudar sua realidade financeira (isto inclui a possibilidade executar as duas opções simultaneamente). Esta questão praticamente não existe entre pessoas ricas.

Algumas condutas, preservadas ao longo dos anos, tendem mudar nosso padrão de vida, preservando nossas conquistas e viabilizando o que parecia distante alguns anos antes. É sobre isto que a educação financeira trata.

Existem alternativas de baixíssimo custo para aquisição da casa própria, como programas do Governo Federal. Tudo bem. Talvez pareça a melhor ou única opção VIÁVEL HOJE, mas será um compromisso de algumas décadas para adquirir um passivo de muitas cifras e, neste caso (pelas características envolvidas), o potencial de valorização costuma ser baixo.

E qual é flexibilidade de um imóvel adquirido via programa habitacional?

Existe urgência? O tempo não é mais o seu aliado? Considera justo estabelecer o potencial financeiro de quase uma vida inteira baseado no poder aquisitivo do momento? Só você poderá responder. Reflita sobre o assunto.

Resumindo: “A previsibilidade do futuro é muito limitada. Não faz o menor sentido tomar decisões de longo prazo precipitadamente. Tome cuidado com ARGUMENTOS sobre realidade financeira. A nossa realidade não é estática e, dependendo de algumas escolhas, pode variar para melhor ou pior. O segredo está na sabedoria de identificar o melhor momento possível para uma posição tão importante e impactante.

Na medida em que nossos recursos financeiros aumentam, entendo que é interessante planejar a aquisição da casa própria sim. Existe uma infinidade de possibilidades. Seja como for, em determinado momento da vida, desejamos maior tranquilidade e não é muito agradável ficar a mercê do proprietário.

Apenas evite tomar decisões precipitadas.

Educação financeira: rompendo barreiras

Neste final de semana, pretendia escrever sobre minha experiência com a Empiricus ou fazer uma reflexão sobre a escolha de uma profissão. Mas, em função das respostas que li nos vídeos da Nath e do Thiago Nigro (na publicação anterior), optei por fazer ponderações mais detalhadas sobre os efeitos da educação financeira em nossas vidas. Procurarei demonstrar, com exemplos reais, a eficiência e o poder de transformação da aplicação destes conceitos.

Conforme exposto anteriormente, costumo escrever tomando como base experiência de vida – não é teoria “solta”. Não escrevo repetindo conceitos que ACHEI na Internet, embora pesquise frequentemente para expandir o meu conhecimento e registrar resultados ou informações que julgo pertinente. É uma atitude que auxilia no processo de aprendizado e serve como fonte de consulta também.

O entendimento sobre vantagens e desvantagens do cartão de crédito é algo pessoal. Sendo assim, gera muita discussão naturalmente (muitas vezes inútil). Conforme comentei, em outra oportunidade, quem trabalha com cartão de crédito frequentemente, também consome alavancado frequentemente. Quando falamos em evolução financeira e investimentos, o sucesso não depende apenas de ter controle sobre o cartão de crédito. A chave está na relação entre gastos e renda mensal. Esta relação vai refletir diretamente na capacidade de manter os aportes mensais e acumular riqueza.

O título que o Thiago Nigro deu ao vídeo foi infeliz: “OS 5 ERROS que as PESSOAS POBRES cometem“. Até pensei em não compartilhar (estes erros são cometidos em diferentes classes sociais), porém, apesar do título inadequado, não invalida a qualidade da informação disponibilizada. Comentarei sobre alguns pontos polêmicos.

Vamos por partes…

Os quatro pilares para o enriquecimento financeiro são: “estudar, trabalhar, poupar e investir“. Existem outras possibilidades que dependem exclusivamente de sorte, e não dá para contar com isto. Porém, independente das escolhas feitas, sem os dois primeiros pilares (estudar e trabalhar), nada disto será viável. Não é a toa que tantos especialistas insistem em afirmar que o país só evolui investindo em educação (fato).

Neste exato momento, algumas pessoas devem imaginar que isto seja apenas utópico e sem impacto na vida real. Então, compartilharei uma experiência de vida que confirma minhas convicções (são fatos reais).

Comentarei os fatos de maior relevância e impacto…

Meus pais são de origem bastante humilde e foram criados priorizando estudo e alimentação. Se não me engano, “não passaram fome”. Mas, levaram uma vida repleta de privações.

Meu pai chegou a cortar o bico de um sapato para não ficar sem, pois não tinha dinheiro para comprar outro. O poder aquisitivo da família era muito limitado. O entendimento de “caber no orçamento”, era bem mais agressivo (risos). Ao completar 18 anos, ele precisou sair de casa porque o sustento familiar estava ficando inviável, visto que meu avô já havia investido quase tudo que tinha nos estudos dos filhos. É evidente que meu pai recebeu ajuda financeira para viajar e se manter por alguns meses. Ainda assim, é um nível de estresse difícil de mensurar. Felizmente, nunca passei por isto.

Em determinado momento, após superar outros desafios, meu pai decidiu que seguiria a carreira militar (como oficial), e se preparou para ingressar na AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras). Mas, existiam alguns desafios. Antes do exame, por exemplo, algumas pessoas comentavam sobre as instituições de ensino que frequentaram e faziam comentários pejorativos, insinuando que um cara “como ele” não teria chance de concorrer de igual para igual. E advinha quem estava entre os primeiros colocados?

Pois é, a vida dá muitas voltas… A primeira barreira foi rompida.

Pouco tempo depois, nossa família se formou (quatro membros).

No início, passamos por algumas restrições também (toda família), nada comparado com o que meus pais passaram anteriormente. O foco principal sempre foi voltado em oferecer educação, alimentação e saúde de qualidade. O resto considerávamos supérfluo. Dentro do nosso meio social, consumíamos bem abaixo da média (criando uma reserva de emergência), enquanto muitos eram adeptos de: “viva intensamente como se não houvesse amanhã, valorize o presente”.

Mas, vejam o que aconteceu depois!

No Rio de Janeiro, detectaram alguns problemas de saúde nos dois filhos (minha irmã e eu). Meus pais gastavam quase tudo que recebiam para que pudéssemos fazer os tratamentos sem interrupção. Naquela época, esta foi a prioridade. Eu tinha um problema de coluna agressivo que, ao evoluir, poderia me tornar praticamente inválido na fase adulta. Foi um período difícil. Mas, recebi um presente infinitamente melhor que o videogame ou skate que não pude ganhar. Não tenho como agradecer. Graças a Deus, não viveram como se não houvesse amanhã.

Como filho de militar, também ganhei muita admiração pela carreira, apesar de optar por uma profissão diferente. O ritmo de vida e trabalho do militar é bastante peculiar, pesado e depende de cursos internos para subir de patente (não é questão de tempo não). Sem dedicação, ninguém prospera. De qualquer forma, meu pai sempre foi estudioso e, ao longo dos anos, continuou se aperfeiçoando, subindo de patente gradativamente. Atitude válida para qualquer profissão.

Em função das dificuldades e escassez de crédito fácil, meus pais assumiram um perfil poupador naturalmente. Neste caso, a vida contribuiu com o aprendizado. Mantendo o nível de instrução crescente, despertou o interesse por finanças e investimentos. Em pouco tempo, começaram a investir (proporcionalmente a nossa realidade). Ou seja, no decorrer dos anos, a nossa realidade financeira melhorou bastante. E é um beneficio que “tende” ampliar nas próximas gerações.

Graças a todas estas questões, posso dizer que tive uma vida tranquila, apesar de pequenas privações (insignificantes). O segredo está em consumir dentro de nossa realidade financeira, permitindo acumular patrimônio diversificado em valor.

Segundo algumas fontes: “Albert Einstein dizia que os juros compostos são a força mais poderosa do universo e a maior invenção da humanidade, porque permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza“.

Não é um processo muito rápido, requer paciência e persistência. Mas, vale a pena! 😉

Infelizmente, a tentação do crédito fácil pode induzir a um caminho danoso e atrapalhar seus projetos.

Com o passar do tempo, a oferta de crédito fácil aumentou, e o cartão de crédito passou a ser encarado como um recurso praticamente indispensável na vida de muitos brasileiros. Com isto, a noção de poder aquisitivo mudou, pois permite adquirir inúmeros bens sem dispor do dinheiro total no momento da compra. Fatalmente, quem trabalha com o cartão de CRÉDITO frequentemente, consome alavancado na maioria das vezes. E o problema não está apenas na anuidade ou capacidade de honrar as parcelas, mas no gasto final também (“permitindo” viver fora da realidade financeira).

Pode ser “válido” em casos de emergência ou após conquistar um padrão de vida mais alto (questão de opinião). Porém, o uso constante, leva a hábitos que minam o sucesso de qualquer investidor (principalmente no início). Por esta razão, é fácil encontrar artigos questionando sua utilização.

Até o acúmulo de milhas é relativamente questionável:
https://papodehomem.com.br/nao-use-o-cartao-de-credito-para-acumular-milhas-or-9-praticas-para-2017-doer-menos

Ao ler o link anterior, por exemplo, fiquei surpreso com a simulação das vantagens para faturas de R$ 1.000. Acredite, você paga muito caro por este “presentinho” (milhas). Por outro lado, como investidor e de acordo com o seu padrão de vida, em poucos anos, o rendimento MENSAL de suas aplicações supera, com grande vantagem, o resultado ANUAL demonstrado. E, neste caso, o esforço não será tão elevado.

Em muitas situações (quase imperceptíveis), o cartão de crédito leva a uma distorção de poder aquisitivo facilmente. Ainda não sou rico, mas já conquistei um padrão de vida confortável, trabalho como analista de suporte e sou investidor amador. Escolhi meu celular de acordo com a minha realidade, no valor de aproximadamente “R$ 600” (achando caro). No entanto, é comum encontrar pessoas com poder aquisitivo igual ou inferior (ou expressivamente inferior) que aceitam pagar quase “R$ 3.000” em um aparelho “equivalente”. A única razão que as leva adquirir um equipamento que pode custar 5x mais, é a “certeza” de que conseguem lidar com as parcelas. Ou seja, alavancam o poder de compra facilmente. No final, o gasto deste indivíduo será muito maior que o meu e o potencial de investimento muito menor. Também existe diferença no grau de previsibilidade de recursos a cada mês, visto que as pendencias para os meses seguintes tendem ser constantes.

Vale lembrar que o “controle” existe até que algum imprevisto apareça. No caso de atrasos, o problema é infinitamente maior. Dependendo da dívida, é possível comprometer a qualidade de vida por muitos anos.

Como morávamos em vila militar, as famílias eram muito próximas. Já constatamos, e até participamos, de casos em que um grupo fez uma “vaquinha” para ajudar outra família ter CONDIÇÕES DE NEGOCIAR SUAS DÍVIDAS por longos anos. É sempre uma simples questão de controle (sendo irônico), até que algo errado ou imprevisto aconteça.

Acredito que estas dificuldades mudam para pessoas de classe alta (realmente ricas) ou com grande habilidade para manter um controle eficiente.

Para finalizar, o Thiago Nigro afirmou que ser rico ou pobre é uma questão de “opção”.
Será que faz algum sentido?

Tenho consciência de que o processo de “enriquecimento” (não apenas aquisição de bens), na busca de uma vida tranquila, não é tão simples. Muitos fatores influenciam no resultado. Mas, este tipo de afirmação vem circulando na Internet em diferentes formas. Já li uma mensagem, em nome de Bill Gates (não confirmei a veracidade), que dizia o seguinte: “Se você nasceu pobre, não é erro seu. Mas se você morrer pobre, a culpa é sua“.

Particularmente, acredito que a história de vida de minha família corrobora com esta linha de pensamento.

Nós somos os principais autores de nossa própria história! 😉

Educação financeira: Fuja das dívidas

Este é um assunto difícil e delicado de discutir. Por questões culturais, a primeira dificuldade está no fato de que a Educação Financeira é pouco conhecida (ou abordada) pelos brasileiros. Felizmente, isto vem mudando (lentamente), e a Internet vem “contribuindo positivamente”.

Muitos brasileiros encaram o endividamento como algo perfeitamente aceitável. Infelizmente, não é. Aliás, o crescimento econômico só é possível controlando gastos. A vida de muitos brasileiros costuma ser castigada justamente por negar isto. Outro exemplo, muito pertinente, é a profunda recessão econômica vivenciada pelo país – fruto de um governo extremamente gastador.

Para pessoa física é ainda pior:
http://aprendizfinanceiro.com.br/awrp/blog/2016/04/05/porque-empresas-podem-fazer-dividas-e-voce-nao/

Lidar com endividamento (seja qual for) como algo cotidiano é perigoso e tende castigar no primeiro deslize.

Lembre-se que o processo enriquecimento mais eficiente é baseado em quatro pilares: “estudar, poupar, trabalhar e investir“. Ninguém enriquece gastando cada vez mais. 😉

Quando participo de discussões sobre cartão de crédito (por exemplo), dificilmente consigo desenvolver um raciocínio lógico até o final (não deixam… risos). Muitas vezes a discussão é inútil, principalmente quando as demais pessoas estão argumentando em tom de “autodefesa”. É um tema muito complicado. O controle financeiro envolve muito mais que fazer malabarismos para que as parcelas sempre caibam no orçamento. Não ter parcelas em atraso é apenas o requisito mínimo para não se afundar em dívidas pesadíssimas. Quem trabalha com cartão frequentemente, também consome alavancado frequentemente.

Antes de investir, livre-se das dívidas!

Para ter sucesso (ou chance) como investidor, alguns hábitos precisam ser “ajustados”.

Ao invés de parcelar uma viagem (ou consumir desesperadamente até acumular milhas), por exemplo, faça um planejamento baseando-se em um investimento de médio prazo. Com certa frequência, escuto o seguinte: “ahhh, mas ninguém faz isto“. E, de certa forma, não deixa de ser “verdade” – conforme exposto no início, princípios sobre educação financeira não são comuns na cultura brasileira. Cabe a você romper esta barreira.

Confiram os principais erros que impedem a evolução econômica de inúmeras pessoas:

O que é inflação?

Você sabe o que, de fato, é a inflação e suas principais causas?

Para dar uma ideia inicial (menos técnica), este vídeo, do Canal do Otário, pode ser interessante:

O vídeo acima dá uma ideia inicial, mas segue uma visão muito simplista e peca um pouco na definição técnica, bem como no processo de desenvolvimento. O Brasil está vivenciando um momento delicado para a economia e muitos brasileiros não compreendem claramente como foi que chegamos ao ponto atual.

De certa forma, a crise política atual criou uma rivalidade entre “coxinha” (direita) x “mortadela” (esquerda). Discutir sobre este assunto, em especial, seria inútil e improdutivo. Portanto, não prolongarei sobre este assunto pontualmente. Não importa a sua visão politica, o fato é que o governo, “na tentativa de diminuir a desigualdade social” (é um tanto relativo), criou (burramente) um grave problema no sistema econômico brasileiro. Foi uma sucessão de erros graves.

Para compreender a participação do governo no processo de desenvolvimento da inflação, sugiro que assistam este vídeo:

O video acima é mais técnico e bastante esclarecedor. Mas, a visão que ele passa sobre os Bancos Centrais (de que não deveriam existir) é bastante questionável e, neste caso, achei muito simplista também.

Para finalizar, compartilharei outro vídeo que aborda tecnicamente o processo de inflação.