Educação financeira: rompendo barreiras

Neste final de semana, pretendia escrever sobre minha experiência com a Empiricus ou fazer uma reflexão sobre a escolha de uma profissão. Mas, em função das respostas que li nos vídeos da Nath e do Thiago Nigro (na publicação anterior), optei por fazer ponderações mais detalhadas sobre os efeitos da educação financeira em nossas vidas. Procurarei demonstrar, com exemplos reais, a eficiência e o poder de transformação da aplicação destes conceitos.

Conforme exposto anteriormente, costumo escrever tomando como base experiência de vida – não é teoria “solta”. Não escrevo repetindo conceitos que ACHEI na Internet, embora pesquise frequentemente para expandir o meu conhecimento e registrar resultados ou informações que julgo pertinente. É uma atitude que auxilia no processo de aprendizado e serve como fonte de consulta também.

O entendimento sobre vantagens e desvantagens do cartão de crédito é algo pessoal. Sendo assim, gera muita discussão naturalmente (muitas vezes inútil). Conforme comentei, em outra oportunidade, quem trabalha com cartão de crédito frequentemente, também consome alavancado frequentemente. Quando falamos em evolução financeira e investimentos, o sucesso não depende apenas de ter controle sobre o cartão de crédito. A chave está na relação entre gastos e renda mensal. Esta relação vai refletir diretamente na capacidade de manter os aportes mensais e acumular riqueza.

O título que o Thiago Nigro deu ao vídeo foi infeliz: “OS 5 ERROS que as PESSOAS POBRES cometem“. Até pensei em não compartilhar (estes erros são cometidos em diferentes classes sociais), porém, apesar do título inadequado, não invalida a qualidade da informação disponibilizada. Comentarei sobre alguns pontos polêmicos.

Vamos por partes…

Os quatro pilares para o enriquecimento financeiro são: “estudar, trabalhar, poupar e investir“. Existem outras possibilidades que dependem exclusivamente de sorte, e não dá para contar com isto. Porém, independente das escolhas feitas, sem os dois primeiros pilares (estudar e trabalhar), nada disto será viável. Não é a toa que tantos especialistas insistem em afirmar que o país só evolui investindo em educação (fato).

Neste exato momento, algumas pessoas devem imaginar que isto seja apenas utópico e sem impacto na vida real. Então, compartilharei uma experiência de vida que confirma minhas convicções (são fatos reais).

Comentarei os fatos de maior relevância e impacto…

Meus pais são de origem bastante humilde e foram criados priorizando estudo e alimentação. Se não me engano, “não passaram fome”. Mas, levaram uma vida repleta de privações.

Meu pai chegou a cortar o bico de um sapato para não ficar sem, pois não tinha dinheiro para comprar outro. O poder aquisitivo da família era muito limitado. O entendimento de “caber no orçamento”, era bem mais agressivo (risos). Ao completar 18 anos, ele precisou sair de casa porque o sustento familiar estava ficando inviável, visto que meu avô já havia investido quase tudo que tinha nos estudos dos filhos. É evidente que meu pai recebeu ajuda financeira para viajar e se manter por alguns meses. Ainda assim, é um nível de estresse difícil de mensurar. Felizmente, nunca passei por isto.

Em determinado momento, após superar outros desafios, meu pai decidiu que seguiria a carreira militar (como oficial), e se preparou para ingressar na AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras). Mas, existiam alguns desafios. Antes do exame, por exemplo, algumas pessoas comentavam sobre as instituições de ensino que frequentaram e faziam comentários pejorativos, insinuando que um cara “como ele” não teria chance de concorrer de igual para igual. E advinha quem estava entre os primeiros colocados?

Pois é, a vida dá muitas voltas… A primeira barreira foi rompida.

Pouco tempo depois, nossa família se formou (quatro membros).

No início, passamos por algumas restrições também (toda família), nada comparado com o que meus pais passaram anteriormente. O foco principal sempre foi voltado em oferecer educação, alimentação e saúde de qualidade. O resto considerávamos supérfluo. Dentro do nosso meio social, consumíamos bem abaixo da média (criando uma reserva de emergência), enquanto muitos eram adeptos de: “viva intensamente como se não houvesse amanhã, valorize o presente”.

Mas, vejam o que aconteceu depois!

No Rio de Janeiro, detectaram alguns problemas de saúde nos dois filhos (minha irmã e eu). Meus pais gastavam quase tudo que recebiam para que pudéssemos fazer os tratamentos sem interrupção. Naquela época, esta foi a prioridade. Eu tinha um problema de coluna agressivo que, ao evoluir, poderia me tornar praticamente inválido na fase adulta. Foi um período difícil. Mas, recebi um presente infinitamente melhor que o videogame ou skate que não pude ganhar. Não tenho como agradecer. Graças a Deus, não viveram como se não houvesse amanhã.

Como filho de militar, também ganhei muita admiração pela carreira, apesar de optar por uma profissão diferente. O ritmo de vida e trabalho do militar é bastante peculiar, pesado e depende de cursos internos para subir de patente (não é questão de tempo não). Sem dedicação, ninguém prospera. De qualquer forma, meu pai sempre foi estudioso e, ao longo dos anos, continuou se aperfeiçoando, subindo de patente gradativamente. Atitude válida para qualquer profissão.

Em função das dificuldades e escassez de crédito fácil, meus pais assumiram um perfil poupador naturalmente. Neste caso, a vida contribuiu com o aprendizado. Mantendo o nível de instrução crescente, despertou o interesse por finanças e investimentos. Em pouco tempo, começaram a investir (proporcionalmente a nossa realidade). Ou seja, no decorrer dos anos, a nossa realidade financeira melhorou bastante. E é um beneficio que “tende” ampliar nas próximas gerações.

Graças a todas estas questões, posso dizer que tive uma vida tranquila, apesar de pequenas privações (insignificantes). O segredo está em consumir dentro de nossa realidade financeira, permitindo acumular patrimônio diversificado em valor.

Segundo algumas fontes: “Albert Einstein dizia que os juros compostos são a força mais poderosa do universo e a maior invenção da humanidade, porque permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza“.

Não é um processo muito rápido, requer paciência e persistência. Mas, vale a pena! 😉

Infelizmente, a tentação do crédito fácil pode induzir a um caminho danoso e atrapalhar seus projetos.

Com o passar do tempo, a oferta de crédito fácil aumentou, e o cartão de crédito passou a ser encarado como um recurso praticamente indispensável na vida de muitos brasileiros. Com isto, a noção de poder aquisitivo mudou, pois permite adquirir inúmeros bens sem dispor do dinheiro total no momento da compra. Fatalmente, quem trabalha com o cartão de CRÉDITO frequentemente, consome alavancado na maioria das vezes. E o problema não está apenas na anuidade ou capacidade de honrar as parcelas, mas no gasto final também (“permitindo” viver fora da realidade financeira).

Pode ser “válido” em casos de emergência ou após conquistar um padrão de vida mais alto (questão de opinião). Porém, o uso constante, leva a hábitos que minam o sucesso de qualquer investidor (principalmente no início). Por esta razão, é fácil encontrar artigos questionando sua utilização.

Até o acúmulo de milhas é relativamente questionável:
https://papodehomem.com.br/nao-use-o-cartao-de-credito-para-acumular-milhas-or-9-praticas-para-2017-doer-menos

Ao ler o link anterior, por exemplo, fiquei surpreso com a simulação das vantagens para faturas de R$ 1.000. Acredite, você paga muito caro por este “presentinho” (milhas). Por outro lado, como investidor e de acordo com o seu padrão de vida, em poucos anos, o rendimento MENSAL de suas aplicações supera, com grande vantagem, o resultado ANUAL demonstrado. E, neste caso, o esforço não será tão elevado.

Em muitas situações (quase imperceptíveis), o cartão de crédito leva a uma distorção de poder aquisitivo facilmente. Ainda não sou rico, mas já conquistei um padrão de vida confortável, trabalho como analista de suporte e sou investidor amador. Escolhi meu celular de acordo com a minha realidade, no valor de aproximadamente “R$ 600” (achando caro). No entanto, é comum encontrar pessoas com poder aquisitivo igual ou inferior (ou expressivamente inferior) que aceitam pagar quase “R$ 3.000” em um aparelho “equivalente”. A única razão que as leva adquirir um equipamento que pode custar 5x mais, é a “certeza” de que conseguem lidar com as parcelas. Ou seja, alavancam o poder de compra facilmente. No final, o gasto deste indivíduo será muito maior que o meu e o potencial de investimento muito menor. Também existe diferença no grau de previsibilidade de recursos a cada mês, visto que as pendencias para os meses seguintes tendem ser constantes.

Vale lembrar que o “controle” existe até que algum imprevisto apareça. No caso de atrasos, o problema é infinitamente maior. Dependendo da dívida, é possível comprometer a qualidade de vida por muitos anos.

Como morávamos em vila militar, as famílias eram muito próximas. Já constatamos, e até participamos, de casos em que um grupo fez uma “vaquinha” para ajudar outra família ter CONDIÇÕES DE NEGOCIAR SUAS DÍVIDAS por longos anos. É sempre uma simples questão de controle (sendo irônico), até que algo errado ou imprevisto aconteça.

Acredito que estas dificuldades mudam para pessoas de classe alta (realmente ricas) ou com grande habilidade para manter um controle eficiente.

Para finalizar, o Thiago Nigro afirmou que ser rico ou pobre é uma questão de “opção”.
Será que faz algum sentido?

Tenho consciência de que o processo de “enriquecimento” (não apenas aquisição de bens), na busca de uma vida tranquila, não é tão simples. Muitos fatores influenciam no resultado. Mas, este tipo de afirmação vem circulando na Internet em diferentes formas. Já li uma mensagem, em nome de Bill Gates (não confirmei a veracidade), que dizia o seguinte: “Se você nasceu pobre, não é erro seu. Mas se você morrer pobre, a culpa é sua“.

Particularmente, acredito que a história de vida de minha família corrobora com esta linha de pensamento.

Nós somos os principais autores de nossa própria história! 😉

Educação financeira: Fuja das dívidas

Este é um assunto difícil e delicado de discutir. Por questões culturais, a primeira dificuldade está no fato de que a Educação Financeira é pouco conhecida (ou abordada) pelos brasileiros. Felizmente, isto vem mudando (lentamente), e a Internet vem “contribuindo positivamente”.

Muitos brasileiros encaram o endividamento como algo perfeitamente aceitável. Infelizmente, não é. Aliás, o crescimento econômico só é possível controlando gastos. A vida de muitos brasileiros costuma ser castigada justamente por negar isto. Outro exemplo, muito pertinente, é a profunda recessão econômica vivenciada pelo país – fruto de um governo extremamente gastador.

Para pessoa física é ainda pior:
http://aprendizfinanceiro.com.br/awrp/blog/2016/04/05/porque-empresas-podem-fazer-dividas-e-voce-nao/

Lidar com endividamento (seja qual for) como algo cotidiano é perigoso e tende castigar no primeiro deslize.

Lembre-se que o processo enriquecimento mais eficiente é baseado em quatro pilares: “estudar, poupar, trabalhar e investir“. Ninguém enriquece gastando cada vez mais. 😉

Quando participo de discussões sobre cartão de crédito (por exemplo), dificilmente consigo desenvolver um raciocínio lógico até o final (não deixam… risos). Muitas vezes a discussão é inútil, principalmente quando as demais pessoas estão argumentando em tom de “autodefesa”. É um tema muito complicado. O controle financeiro envolve muito mais que fazer malabarismos para que as parcelas sempre caibam no orçamento. Não ter parcelas em atraso é apenas o requisito mínimo para não se afundar em dívidas pesadíssimas. Quem trabalha com cartão frequentemente, também consome alavancado frequentemente.

Antes de investir, livre-se das dívidas!

Para ter sucesso (ou chance) como investidor, alguns hábitos precisam ser “ajustados”.

Ao invés de parcelar uma viagem (ou consumir desesperadamente até acumular milhas), por exemplo, faça um planejamento baseando-se em um investimento de médio prazo. Com certa frequência, escuto o seguinte: “ahhh, mas ninguém faz isto“. E, de certa forma, não deixa de ser “verdade” – conforme exposto no início, princípios sobre educação financeira não são comuns na cultura brasileira. Cabe a você romper esta barreira.

Confiram os principais erros que impedem a evolução econômica de inúmeras pessoas:

O que é inflação?

Você sabe o que, de fato, é a inflação e suas principais causas?

Para dar uma ideia inicial (menos técnica), este vídeo, do Canal do Otário, pode ser interessante:

O vídeo acima dá uma ideia inicial, mas segue uma visão muito simplista e peca um pouco na definição técnica, bem como no processo de desenvolvimento. O Brasil está vivenciando um momento delicado para a economia e muitos brasileiros não compreendem claramente como foi que chegamos ao ponto atual.

De certa forma, a crise política atual criou uma rivalidade entre “coxinha” (direita) x “mortadela” (esquerda). Discutir sobre este assunto, em especial, seria inútil e improdutivo. Portanto, não prolongarei sobre este assunto pontualmente. Não importa a sua visão politica, o fato é que o governo, “na tentativa de diminuir a desigualdade social” (é um tanto relativo), criou (burramente) um grave problema no sistema econômico brasileiro. Foi uma sucessão de erros graves.

Para compreender a participação do governo no processo de desenvolvimento da inflação, sugiro que assistam este vídeo:

O video acima é mais técnico e bastante esclarecedor. Mas, a visão que ele passa sobre os Bancos Centrais (de que não deveriam existir) é bastante questionável e, neste caso, achei muito simplista também.

Para finalizar, compartilharei outro vídeo que aborda tecnicamente o processo de inflação.

Porque empresas podem fazer dívidas, e você não?

Há poucas semanas, comecei a selecionar alguns vídeos que tratam como analisar o balanço de uma empresa, com toda teoria e prática envolvida. Mas, não publiquei ainda por falta de tempo e porque resolvi priorizar e produzir outros conteúdos de maior “relevância no mês”, como o IRPF (postagem anterior).

O texto, a seguir, foi extraído da fanpage do Bastter e servirá como base para acompanhar o que será tratado nos vídeos que selecionei e, em breve, compartilharei também.

Porque empresas podem fazer dívidas, e você não?

– Para compreender as diferenças, é importante conhecer os conceitos:
ATIVOS: Bens e direitos em seu poder que podem trazer benefícios futuros;
BENS: Ativos em seu poder (normalmente são ativos);
DESPESAS: Desembolsos e pagamentos (implica normalmente em diminuição dos bens, dos ativos);
DIREITOS: Bens seus em poder de terceiros;
OBRIGAÇÕES: Bens de terceiros em seu poder;
PASSIVOS: Obrigações que deverão ser liquidadas no futuro com desembolso de ativos;
RECEITAS: Recebimentos (implica normalmente em aumento dos bens, dos ativos);
PATRIMÔNIO LIQUIDO: ATIVOS – PASSIVOS (subtração).

– Quando uma pessoa física faz uma dívida para comprar um BEM, muitas vezes é um PASSIVO que vai trazer mais DESPESAS. Exemplo: Carro. Trará mais despesas e perda de capital, pois o carro perde valor com o tempo.  Neste caso, as despesas serão crescentes, impondo também custos de manutenção.

– Quando uma empresa faz uma dívida para comprar um BEM, muitas vezes é um ATIVO que trará mais RECEITAS. Exemplo: Uma máquina. A máquina aumentará a produção da empresa e trará receitas suficientes para pagar a dívida e ainda sobrar uma quantidade que aumentará os lucros.

Logo, é possível concluir que:

1. A DÍVIDA de uma pessoa física não produz ATIVOS que compensem o aumento dos PASSIVOS, levando a perda de PATRIMÔNIO.

2. A DÍVIDA de uma empresa tende a produzir ATIVOS que compensem o aumento dos PASSIVOS, levando a aumento do PATRIMÔNIO LÍQUIDO, se a gestão for boa e a divida equilibrada (com baixa alavancagem).

Portanto, só compre o que você precisa, com o dinheiro que você tem. Não é gastar muito que te faz rico, é ser rico que te permite gastar muito. O sucesso depende de estudo, trabalho e poupança. Não existe atalho.

Cenário político econômico

Diante dos últimos acontecimentos, acho interessante que você, investidor ou simpatizante do site, reflita sobre as implicações do que vem acontecendo no país, até para compreender o impacto disto sobre sua vida e investimentos.

O comentário independe de visão política – não importa se é de esquerda ou de direita, muito menos se você apoia ou não a conduta do governo do PT. Mas, compartilharei a visão que tenho sobre os acontecimentos e preocupações com o futuro econômico, algo que afeta diretamente o cotidiano de cada cidadão brasileiro.

Para quem lida com investimentos a mais tempo ou se mantém informado sofre os acontecimentos econômicos, o que vem acontecendo atualmente não é novidade e nem surpreende tanto. E também não exagero ao dizer: “tudo isto era esperado”. Mesmo assim, confesso que o resultado tem superado minhas expectativas – assusta um pouco.

Antes da reeleição da presidente Dilma, a Empiricus compartilhou uma tese, conhecida como “O Fim do Brasil”. Naquela época, 9 alertas foram levantados, e concretizados pouco tempo depois. Os argumentos foram fundamentados em fatos e resultados econômicos. Foi perceptível que a empresa também estava fazendo um trabalho de marketing para atrair novos assinantes (algo normal), mas a precisão dos números colocados assustava. É preciso reconhecer: a análise foi muito bem feita, com forte embasamento econômico e matemático. Não foi por acaso que eles acertaram todos os alertas. Tentei encontrar elementos que refutassem aqueles números, mas não consegui. Portanto, não é uma questão ideológica ou de visão política.

No momento em que o alerta aconteceu, o país já estava fora dos eixos e a um passo de entrar em colapso econômico. O processo de estagflação já havia começado e quem acompanhava o cenário econômico sabia disto. Ou seja, medidas emergenciais deveriam ser tomadas muito antes. Mas, existia um “probleminha”. Não era interessante reconhecer uma crise financeira na entrada em ano de eleições, pois afetaria o resultado nas urnas. Óbvio, não?

Não sei quantos de vocês recordam, no debate com o candidato Aécio, a presidente afirmou categoricamente que a inflação estava sob controle e não existia razão para preocupação. Afirmou o mesmo sobre o índice de desemprego. Minha lembrança disto é clara porque fiquei estarrecido com o cinismo da afirmação. Em menos de uma semana, depois de reeleita, o governo elevou a taxa Selic como “medida de controle da inflação”. Vocês acreditam que a PRESIDENTE não sabia disto? Impossível.

Já esperávamos pela elevação da taxa de juros, aumento do índice de desemprego e também a queda da capacidade produtiva do país (PIB negativo). Estamos oficialmente vivenciando um período de estagflação: inflação alta e PIB negativo. Ao contrário do que muitos imaginam, isto vem evoluindo desde o segundo mandato do governo Lula. O que está acontecendo não é uma culpa exclusiva da presidente Dilma. Aliás, agora ela sabe muito bem o significado de “herança maldita”. Infelizmente, para complicar um pouco mais, a crise econômica mundial também respingou por aqui.

Muita coisa aconteceu. Talvez por populismo, afirmando que o país estava finalmente livre do FMI, o governo do PT preferiu quitar a dívida externa – que apresentava juros menores – e terminou por elevar a interna, a juros muito maiores. Atualmente o país precisa lidar com uma dívida que está se tornando impagável (alguns trilhões) e com um governo extremamente gastador. O descontrole é tanto, que a nova tese da Empíricus se chama “O Calote”.

E o que isto tem a ver com cada um de nós? Muita coisa, pois afeta nossas vidas diretamente.

Para o investidor, é um excelente termômetro que auxiliará na seleção do investimento “ideal” para direcionar os próximos aportes ou extrair o melhor de alguns dos seus investimentos. Ou seja, é uma oportunidade rara para quem conta com recurso financeiro suficiente para lidar com a crise sem muito sofrimento e ainda lucrar com ela no futuro.

Também facilita a compreensão do movimento do mercado financeiro. Esta semana – primeira do mês de março (2016) – encerrou com a queda do dólar e alta expressiva do índice Ibovespa. Não foi por acaso. O mercado reage com a expectativa de ganho futuro. A ação da Polícia Federal (PF) fez com que o mercado acreditasse que o cenário político e econômico sofrerá mudanças, “saindo” da inércia em que se encontra. A expectativa estava muito negativa, basta ver como os ativos de renda variável vinham sendo fortemente castigados. Por este motivo, os investidores que já possuíam ativos de empresas sólidas foram surpreendidos pela “alta inesperada” desta semana (foi surpreendente).

Até então, a única certeza que se tinha é que o governo não estava atuando de forma eficiente para controlar a inflação e nem os gastos públicos. Muito pelo contrário. A tentativa do ajuste fiscal tem sido frustrante e a intenção do governo em incentivar o crédito novamente tende a aumentar ainda mais o descontrole inflacionário. O aumento da taxa de juros, por exemplo, é uma ferramenta utilizada para reduzir o consumo interno e, com isto, frear a inflação. Mas, para acalmar os ânimos e incentivar o crédito, o governo tem estudado uma possível redução da taxa de juros. Sendo assim, o mercado já “sabia”, dentro deste contexto, o que esperar do ano de 2016. Por isto os resultados eram tão negativos. A ação da PF fez surgir uma grande expectativa de mudança, mesmo sem saber se o efeito será favorável ou não.

Para o investidor, continuo acreditando que o momento ainda pede cautela. Não sabemos qual será o desfecho. O que esperar se, nas próximas semanas, este movimento perder força e não houver sustentação? É simples e não precisa ser vidente para saber: “o dólar volta a subir e o índice Ibovespa desce ladeira abaixo”. Conforme exposto, significaria a manutenção de medidas já conhecidas e indesejadas. Para quem se posicionou no início do ano, o momento é excelente. Mas, quem estiver comprando ações agora, está assumindo um risco relativamente maior.

Não se iluda em acreditar que isto afeta apenas investidores. Na realidade, muitos até se beneficiam (aumentando suas posições), mas toda a sociedade é castigada e paga por isto de alguma forma. As crises são cíclicas e a duração de cada uma depende de medidas acertadas.

Com a inflação em descontrole, o poder aquisitivo do cidadão acaba sendo comprometido. Por mais incrível que pareça, é justamente a população mais carente que sente, com maior intensidade, os efeitos da crise. Até que surja uma mudança mais efetiva, tende a piorar gradualmente. A renda do cidadão e o auxílio do governo não acompanham a evolução da taxa de juros ou inflação. O índice de endividamento do brasileiro vem crescendo e isto gera inúmeras consequências. O mercado, por se sentir mais exposto, introduz critérios e limites de crédito mais rígidos, diminuindo ainda mais o poder aquisitivo de uma grande parcela da população. As altas taxas de juros são excelentes para investidores, mas acabam com a tranquilidade de devedores (pessoa física).

O momento não está para brincadeira.

Sei que é difícil afastar a visão política ou ideológica do assunto. Seja como for, não faz a menor diferença. Não é a sua ou a minha visão política que muda a realidade dos fatos. O que foi exposto se atém apenas em causa e consequência. Sabendo disto, não vejo espaço para apoiar.