Day trade: o preço médio é aliado ou inimigo?

Se as operações de “day trade“, por si, já são extremamente arriscadas e com impacto emocional natural, imaginem o “nível de emoção” que existe para os adeptos do preço médio.

Mas, afinal o que é o preço médio?

Imagine que você tenha comprado um ativo por R$ 100 e sua expectativa de valorização é até R$ 150. Ou seja, neste caso, você optou por uma operação de long (operando comprado), com um “contrato”, objetivando um lucro de R$ 50 (150-100).

Infelizmente, ao invés do mercado buscar os R$ 150, o preço do ativo recuou para R$ 50. Neste momento, o seu prejuízo na operação é de R$ 50.

A partir deste momento, existem duas possibilidades (tirando a possibilidade de aguardar):

  1. O movimento do mercado já atingiu o seu stoploss (limite de perda) financeiro ou técnico e você decide efetivar prejuízo;
  2. O movimento ainda não atingiu o seu stoploss e você está convicto de que o movimento ainda é de alta e o mercado fez apenas um pullback (uma correção que antecede a continuação do movimento). Neste cenário, alguns traders simplesmente ajustam a sua posição comprando mais um ativo (mais um contrato). Ao fazer isto, o preço da sua posição se torna “mais favorável”, pois o preço da posição será a média das operações – por isto se chama preço médio.

De acordo com o exemplo anterior, feito o preço médio, você estará posicionado com dois contratos ao preço de R$ 75 ((100+50)/2). Na prática, é como tivesse realizado uma ordem com 2 contratos ao preço de R$ 75 a posição inicial era de R$ 100, agora ficou em R$ 75.

Sim, é bastante tentador e, ao mesmo tempo, muito arriscado.

Agora, com o preço médio de R$ 75, se o mercado voltar aos R$ 100 anterior (início da posição), o seu lucro no movimento será de R$ 25. Porém, neste momento, posicionado com dois contratos, o lucro final será os mesmo R$ 50 esperado no início da operação.

Parece muito bom e mais fácil, não é mesmo? Cuidado, nem tudo é o que parece!

De fato, pode ser uma boa opção para quem sabe o que está fazendo e consegue seguir fielmente o manejo de risco. Ocorre que, ao fazer isto, podemos dobrar nossa expectativa de ganho OU PREJUÍZO. Ou seja, de acordo com a movimentação do mercado, após R$ 100 o seu lucro será o dobro da expectiva inicial, e abaixo de R$ 50 o prejuízo também dobrará.

Como o risco aumenta significativamente, na maioria das vezes, afetará o nosso controle emocional – é aí que mora o perigo. Quanto maior for o preço médio, maior será a dificuldade para lidar ou aceitar o stoploss definido lá no início da posição (na primeira ordem). É preciso ser extremamente disciplinado para não permitir “quebrar a conta”.

Por esta razão, o ideal é evitar ao máximo, mas, se optar em fazer, que seja à favor da tendência!

O risco seria absurdamente maior se, no exemplo anterior, o preço médio fosse realizado dentro de uma tendência de baixa (observada a e confirmada partir de uma, LTB por exemplo).

Alguns traders insistem em dizer que esta é uma prática muito comum em grandes instituições financeiras. No entanto, não me parece muito honesto comparar com o posicionamento de uma pessoa física. O pequeno investidor não está tão bem assessorado (não conta com uma equipe de analistas), não dispõe das mesmas ferramentas, nem do altíssimo volume financeiro e também não está sujeito aos mesmos dispositivos de controle de risco que são aplicados por estas instituições. Lembrem-se: somos sardinhas e nosso objetivo principal é sobreviver.

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