Resultado do mês de junho (2018)

Com tanta agitação, parece que o ano está passando em um piscar de olhos. As últimas semanas tem sido recheadas de emoções, com os jogos da copa do mundo e fortes turbulências no cenário político-econômico. Em relação à renda variável, é possível que tenhamos atingido o fundo e o momento pode ser oportuno para novos aportes – evidentemente, mantendo  a cautela. Sem muitas delongas, vamos aos resultados.

No cenário interno, alguns acontecimentos chamaram bastante atenção. O país está passando por um momento delicado, em que o governo encontra, além da forte rejeição da população, muita resistência para aprovar e ganhar aceitação para aprovar reformas emergenciais e essenciais…

Por um lado, o Estado impõe que a população precisa aceitar maior sacrifício, visando equilibrar as contas públicas (o deficit tem sido crescente nos últimos anos). Mas, por outro lado, ele mesmo não demonstra a mesma disposição. A Assembleia de SP, por exemplo, aprovou aumento do teto salarial de servidores, gerando impacto de R$ 909 milhões em quatro anos. Como se não fosse suficiente, recentemente,  o Judiciário vem pressionando o governo para aumentar os salários da magistratura – pois é, parece que vivem em uma realidade completamente a parte.

Neste mês, as atenções também foram voltadas ao STF. O primeiro acontecimento marcante foi o julgamento e absolvição da senadora Gleisi Hoffmann. Apesar das divergências de opinião, de acordo com inúmeras fontes, os argumentos utilizados foram fracos e, neste caso, o desfecho foi condizente com de um Estado Democrático de Direito. Até aqui, não há muito o que questionar. Porém, não parou por ai…

O julgamento do pedido de liberdade do ex-presidente Lula, no STF, estava marcado para o dia 26/06 (coincidentemente, um dia antes do jogo do Brasil). Mesmo depois da condenação unânime no TRF-4 e em segunda instância (ainda que acirrada, foi condenado pelo próprio STF), continuam questionando a arbitrariedade da condenação. Diante dos fatos, o ministro Fachin arquivou o pedido de liberdade do Lula. Evidentemente, a defesa do ex-presidente recorreu e conseguiu um novo julgamento para o mês de agosto, alegando não colocar em pauta sua elegibilidade. Será? Quando tudo parecia sob controle, a segunda turma do STF concebeu habeas corpus ao ex-ministro José Dirceu. A forma como todo processo de deu demonstra que possivelmente o ex-presidente seria solto também. Somos todos iguais perante a lei? Parece que alguns são mais iguais que outros.

Já no cenário internacional, a maior atenção ficou voltada para o aperto de mão histórico, em Singapura, entre o presidente Donal Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un. Algumas pessoas atribuem o mérito ao presidente norte-americano, mas, no meu entendimento, este desfecho se deu por influência da China. Aliás, a China já é a segunda maior economia do mundo, e tudo indica que o americano está ficando incomodado (risos) – basta ver os inúmeros conflitos comerciais.

Como de costume, confiram os principais números e acontecimentos que sacudiram o país e o mundo:

Por “incrível que pareça” (risos), diante de tantas incertezas, os investidores ficaram mais satisfeitos com a rejeição de Ciro Gomes, influenciando de alguma forma no enfraquecimento do ciclo de pânico no mercado de renda variável. Ainda é cedo para comemorar.

Depois de várias semanas em “queda livre”, o índice Ibov parece ter atingido seu fundo – durante o mês, o índice perdeu mais de 10.000 pontos. O mês encerra apurando uma queda de aproximadamente 6.5%. Conforme tratado em inúmeros artigos, o momento pode ser oportuno, pois os fundamentos das empresas permanecem positivos (em muitos casos, com balanço trimestral superior se comparado com do ano passado).

Felizmente, não precisei lidar com “imprevistos financeiros” e, por diferentes razões, minha capacidade de aporte foi maior. Apesar do momento de estresse (com mercado em pânico), a performance da carteira continua satisfatória. Neste mês, precisei emitir uma DARF de uma operação de day trade – a emissão foi automática via sistema IRPFBolsa.

Normalmente, só compartilho a variação de mercado de minha carteira no mês de dezembro. Porém, em função do pânico generalizado, incluirei a variação atual para fins de comparação.

Quanto aos investimentos…

Neste mês, apesar da forte queda, surgiram alguns eventos interessantes. As ações da Grendene foram desdobradas na proporção de 1:3 e Itaú SA ofereceu bonificação de 10% em ações preferências (tanto para detentores de PN como ON). Mesmo arcando com um pequeno prejuízo em uma operação com CALLs da Petrobras, consegui reverter o prejuízo fazendo uma operação de day trade com uma pequena parcela de PETR3 – com a saída de Pedro Parente da diretoria da Petrobras, aproveitei o momento para remunerar a carteira

Recebi proventos de BBAS3, ITUB3, BRCR11 (0,395%), FCFL11 (0,590%), PQDP11 (0,435%), KNRI11 (0,519%), RNGO11 (0,655%), SAAG11 (0,679%), GGRC11 (0,651%), MXRF11 (0,825%), KNCR11 (0,557%), HGRE11 (0,582%) e FIGS11 (1,126%). O desempenho de todos os FIIs foi superior, “com projeção ainda maior para o próximo mês“. Infelizmente, é claro que isto se deve ao fato da desvalorização das cotas. Em um primeiro momento assusta, mas abre uma janela de oportunidade rara. É possível encontrar um grande desconto em ativos de excelente qualidade. Ao contrário do que muitos imaginam, este é o melhor momento para reforçar as posições (não esperem pela valorização das cotas). Apesar das flutuações, o rendimento da carteira permanece excelente, e foi reforçado com o pagamento de dividendos e JCP de BBAS3 e ITUB3 (menos expressivo).

Com o rendimento da própria carteira, somado ao capital que me prontifico separar para investir mensalmente, comprei mais ações (ou cotas) de GRND3, ODPV3, PETRI20, RNGO11, BRCR11, KRNI11 e MXRF11. Os maiores aportes foram bem equilibrados entre ODPV3, GRND3 e RNGO11. Os demais também foram equilibrados, porém em menor volume. O lucro da operação de day trade com PETR3 foi expressivo e utilizei para reforçar algumas posições – a despesa com imposto foi pequena.

Confiram a distribuição dos ativos, segundo o portal CEI (NÃO inclui o Fundo DI):

A composição atual ficou assim (gráfico do IrpfBolsa):

Vale lembrar que o gráfico acima representa uma distribuição baseada no custo de aquisição, não no valor de mercado

– Vamos analisar, agora, a performance da carteira (preço médio x preço de mercado):

Papel Preço médio Preço mercado % Setor
ABEV3 18,70 17,98 -3,89 Consumo não Cíclico
BBAS3 18,88 28,65 51,69 Financeiro e Outros
BBSE3 27,80 24,46 -12,04 Financeiro e Outros
BRCR11 99,81 88,71 -11,12 Financeiro e Outros
CRFB3 15,36 15,01 -2,28 Consumo não Cíclico
EZTC3 15,52 16,13 3,90 Construção e Transporte
FCFL11 1607,05 1850,00 15,11 Financeiro e Outros
FIGS11 74,79 69,00 -7,75 Financeiro e Outros
GGRC11 122,13 121,5 -0,51 Financeiro e Outros
GRND3 6,93 7,92 14,17 Consumo Cíclico
HGRE11 138,86 120,8 -13,00 Financeiro e Outros
HYPE3 33,92 27,61 -18,61 Consumo não Cíclico
ITSA3 8,57 9,9 15,51 Financeiro e Outros
ITUB3 28,22 35,9 27,20 Financeiro e Outros
KNCR11 110,81 107,00 -3,43 Financeiro e Outros
KNRI11 145,71 142,49 -2,21 Financeiro e Outros
MXRF11 9,64 9,7 0,52 Financeiro e Outros
PETR3 9,35 19,42 107,48 Petróleo, Gás e Biocomb
PQDP11 1335,59 2960,00 121,57 Financeiro e Outros
RNGO11 84,55 79,98 -5,41 Financeiro e Outros
SAAG11 119,98 116,01 -3,31 Financeiro e Outros
ODPV11 13,79 13,07 -5,23 Consumo não Cíclico
ITSA4 6,53 9,04 38,43 Financeiro e Outros

É evidente que, comparado com dezembro de 2017, o resultado da carteira recuou bastante. Não é algo agradável de presenciar, no entanto a diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado permanece positiva. Logo, a evolução patrimonial continua crescente e a simples avaliação do preço médio não revela quanto foi aportado a partir dos proventos da própria carteira (que aumentam no decorrer do tempo). O que quero dizer é que, como holder, não podemos ficar emocionados com flutuações de curto prazo. Foquem nos fundamentos, o preço será mais relevante em operações de trade ou caso necessite encerrar alguma posição imediatamente.

Aliás, fiz uma avaliação do capital provisionado para julho e o rendimento será maior. Cada investidor deve agir de acordo com seus objetivos e entendimento. Em minha opinião, nada muda estrategicamente. Estou satisfeito com a carteira e aproveitarei o momento de pânico para reforçar minhas posições com volume de ativos superior. O momento pede cautela e sabedoria.

É preciso investir de forma consciente. A volatilidade que estamos conferindo, de certa maneira, já era esperada – a percepção da intensidade impressiona mais porque o mercado permaneceu eufórico por muito tempo e diferentes fatores (internos e externos, mencionados em diferentes oportunidades) influenciaram negativamente. Vale ressaltar que é preciso ter consciência que, no curto prazo, oscilações são naturais e esperadas (com movimentos de repique, por exemplo). Dentro de qualquer tendência, os papeis não se movimentam em linha reta.

Mantenham a tranquilidade! 😉

Estou apenas demonstrando o potencial de crescimento, isto não é recomendação de investimento.

Resultado do mês de fevereiro (2018)

Como o mês virou no meio da semana e fui surpreendido por problemas pessoais, preferi publicar o resultado mensal no primeiro final de semana de março. Tirando algumas surpresas desagradáveis (muita agitação), o mês foi excelente. O ano já começou turbulento e, conforme esperado, alguns eventos políticos tumultuaram bastante o mẽs de fevereiro. Portanto, sem muitas delongas, vamos aos resultados.

De maneira geral, para o brasileiro, o ano começa realmente depois do “feriado” de carnaval. O engraçado foi que, na semana seguinte, fiquei surpreso com o fluxo de carros na cidade. De imediato não entendi o que havia mudado para justificar aquilo. Não demorou muito e lembrei que o ano estava começando de fato – o fluxo voltou ao normal (risos).

No cenário político-econômico, o fato de maior repercussão foi, sem sombra de dúvidas, a autorização da Intervenção Federal no Rio de Janeiro. De certa forma, ainda que o Exército não tenha o poder de polícia (o que o coloca em grande desvantagem), vejo com bons olhos a medida, pois “inibe” a ação de criminosos. A situação do RJ está caótica. É melhor do que nada, mas não resolverá o problema. É uma questão bastante complexa. Para o Governo Federal, mesmo que neguem, também serviu como uma “saída honrosa” para a questão da Reforma da Previdência – dificilmente será votada (quanto mais aprovada) neste ano.

Em relação a Intervenção Federal, confiram a visão do General Heleno:

Controlar a onda de violência no país tem sido um desafio enorme. O mês também foi marcado por uma onda de crimes e violência no Ceará. Segundo a Reuters, “O governo federal enviou ao Ceará uma força-tarefa policial formada por homens da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança para dar apoio técnico às forças de segurança locais em ações de combate ao crime organizado“.

O Governo Federal, na tentativa de melhorar a segurança pública, decidiu criar mais um Ministério (Ministério Extraordinário da Segurança Pública) estruturado de forma semelhante ao Ministério da Justiça. Na minha opinião, parece mais uma medida para “inglês ver” (resposta rápida) e gerará custos ainda maiores – para se te ideia, em 2017, o orçamento do Ministério da Justiça foi de R$ 13,4 bilhões.

No cenário internacional, o que causou maior impacto, levando a queda significativa do índice IBovespa no fim da semana, foi a afirmação de Donald Trump de que irá taxar a importação de aço.

Confiram os principais números e acontecimentos sacudiram o país e o mundo:

Em relação ao mercado, para “investidores mais arrojados” que especulam “ativos” de altíssimo risco (como criptomoedas ou “instituições” não regulamentadas), o mês causou bastante agitação (e continuará)…

Bitcoin continua apresentando volatilidade nunca vista em qualquer outra aplicação ou moeda. Alguns investidores até associam volatilidade de R$ 30.000,00 à correções de mercado. Os especialistas no assunto não exitam em demonstrar a eficiência e “segurança” da tecnologia (blockchain), mas ignoram (ou desprezam) as falhas graves que vem ocorrendo constantemente entre as entidades envolvidas no processo: “Neste mês, uma falha em uma exchange japonesa, permitiu a aquisição de criptomoedas de graça“. Os movimentos de euforia e pânico estão sendo constantes (risos). A Alemanha, por exemplo, legalizou as criptomoedas e passou a reconhecer o Bitcoin como meio de pagamento – certamente influenciará em um movimento de euforia. Raramente o investidor amador sabe lidar com este tipo de situação. Seja como for, prefiro ficar apenas observando (meu foco é outro).

– De acordo com o site Exame, “A empresa de fomento mercantil, ou factoring, Maximus Digital, que havia assumido os negócios da Alcateia Investimentos e seus 50 mil investidores, anunciou que está desfazendo o negócio e encerrando as atividades“. Ou seja, a empresa fechou e deixou 50 mil investidores no prejuízo. No ano passado fiz um alerta sobre os riscos. Infelizmente, a ganância nos cega facilmente.

Felizmente, não precisei lidar com grandes imprevistos financeiros. No entanto, tive gastos adicionais para encerrar a operação de venda coberta e aquisição de uma câmera nova e tripé para gravação de vídeos (até então, vinha filmando com a câmera frontal do celular). Também tive mais alguns gastos com uma viagem no “feriado” de carnaval e outras questões pessoais. Em relação a operação de venda coberta, farei um vídeo explicando melhor como funciona e os riscos – pode valer a pena se entendermos que, neste caso, trata-se de uma estratégia de trade para remuneração de carteira (não há como acertar sempre).

Quanto aos investimentos…

Com tantos acontecimentos de grande impacto no cenário político-econômico, a evolução da carteira continua bastante expressiva. Mas, volto a afirmar: estejam preparados para lidar com forte volatilidade. Como holder, segue o jogo (simples assim).

Recebi proventos de ITUB3, ABEV3, BRCR11 (0,470%), FCFL11 (0,477%), PQDP11 (0,450%), KNRI11 (0,383%), RNGO11 (0,578%), SAAG11 (0,658%), GGRC11 (0,528%), MXRF11 (0,626%), KNCR11 (0,626%), HGRE11 (0,533%) e FIGS11 (0,873%). O desempenho dos FIIs permanece estável. O pior resultado foi do fundo KNRI11, porém foi devido ao adiantamento de R$ 0,20 por cota feito no mês de janeiro. O rendimento mensal da carteira permanece excelente, e foi reforçado com o pagamento de dividendos e JCP de ITUB3 e ABEV3 (pouco expressivo).

Com o rendimento da própria carteira, somado ao capital que me prontifico separar para investir mensalmente, comprei mais ações ou cotas de CRFB3, KNRI11, FIGS11 e BRCR11. Passei sufoco com a operação de venda coberta e quase “não consegui” fechar a tempo. Logo, visando encerrar a operação com prejuízo pequeno, antecipei a compra das opções BBASB78 ao preço de R$ 0,78 – a princípio, como 2018 promete grande volatilidade (pelas incertezas no cenário político) e a possibilidade de ser exercido não é aceitável, decidi não incluir este tipo de operação durante o ano. O menor aporte foi para o fundo FIGS11 e o maior para KNRI11. Exceto pelo fundo FIGS11, a distribuição foi bastante equilibrada. Novamente, por diferentes razões, minha capacidade de aporte foi limitada.

Confiram a distribuição dos ativos, segundo o portal CEI (NÃO inclui o Fundo DI):

A composição atual ficou assim (gráfico do IrpfBolsa):

Vale lembrar que o gráfico acima representa uma distribuição baseada no custo de aquisição, não no valor de mercado“.

O movimento eufórico do mercado ainda prevalece. O resultado negativo, no encerramento da semana, foi em função da possível taxação de aço anunciada por Trump. Até pouco tempo, existia grande expectativa em relação a Reforma da Previdência, mas a Intervenção Federal no RJ ofereceu um “tempo maior” (trégua). Particularmente, devido a tantas incertezas, acredito que presenciaremos fortes turbulências. Vale ressaltar que é importante ter consciência que, no curto prazo, oscilações são naturais e esperadas (com movimentos de repique, por exemplo).

Estou apenas demonstrando o potencial de crescimento, isto não é recomendação de investimento.

Ambev: lucro cai 10% (para R$ 12 bi)

Infelizmente, com a divulgação do resultado anual (queda do lucro líquido em aproximadamente 10%), as ações da Ambev encerraram em baixa de 3,91%.

Segundo a ADVFN, “A Ambev divulgou hoje pela manhã o resultado de suas operações anuais. Em 2016, a companhia viu seu lucro líquido ajustado cair 9,7%, para R$ 11,94 bilhões, com queda nos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, maiores despesas financeiras com proteções cambiais e despesa adicional sem efeito caixa referente à opção de venda associada ao seu investimento na República Dominicana. A queda no resultado foi parcialmente compensada por uma alíquota efetiva de imposto de renda mais baixa. O lucro por ação ajustado no ano foi R$ 0,75“.

Dezenove Regras Operacionais Para Se Tornar Um Vencedor

Recebi, há poucos dias, um pdf de um amigo com a tradução das “Dezenove regras operacionais para se tornar um vencedor” (de Martin J. Pring). O texto é muito bom.

Segue, logo abaixo, o link para download:
Dezenove Regras Operacionais para se Tornar um Vencedor (Martin J. Pring)

Gostei do texto, mas acredito que a quarta regra (Compre Baixo e Venda Alto) é bastante questionável. O Bastter questiona isto frequentemente, pois cria um conflito no posicionamento como Holder ou Trader. Um Holder não opera cotação.

Cada investidor pode atuar como preferir, mas é fundamental compreender as diferenças e conhecer as estratégias envolvidas em cada caso. É fácil afirmar que não devemos operar com emoção. No entanto, ironicamente, os momentos mais expressivos de alta ou baixa são marcados por excesso de emoção – pânico na baixa e euforia na alta (risos). O vídeo anterior esclarece muito bem estas questões.

Para reforçar a compreensão, leiam o seguinte artigo:
http://blog.kanitz.com.br/iludidos-pelo-acaso/

Resultado do mês de Dezembro (2016)

O ano está encerrando e passamos por fortes turbulências, resultante do “processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, operação Lava Jato, Brexit, eleição presidencial norte-americana e etc”. Haja emoção (risos)! O atual governo apresentou medidas polêmicas (algumas extremamente impopulares), mas acredito que está em concordância com estudos dos principais economistas brasileiros quanto a retomada do crescimento econômico. Porém, não é algo simples ou rápido. Dificilmente colheremos frutos já em 2017. Para investidores, o ano de 2016 ofereceu grandes oportunidades (seja em renda fixa ou variável) e ainda existe uma janela de oportunidades bastante interessante para o próximo.

As mudanças no cenário político e econômico geraram expectativa positiva e o índice Ibovespa encerrou o ano com alta de 39%. E, em função da elevada taxa de juros, investimentos em renda fixa também ofereceram oportunidades raríssimas. Particularmente, optei por concentrar os novos aportes em Fundos Imobiliários e Ações. A única operação que realizei, em renda fixa, foi a troca de fundo DI (no mesmo Banco).

Neste ano, algumas medidas fundamentais e impopulares foram tomadas, como o caso da PEC 241 e proposta de reforma da Previdência. O governo também apresentou um pacote de medidas econômicas, visando aumentar a produtividade, reduzir os juros para o consumidor final e diminuir a burocracia. Para aquecer a economia, o governo liberou o resgate total de contas inativas do FGTS e lançou uma proposta de reforma trabalhista, beneficiando inúmeros brasileiros diretamente. Infelizmente, o índice de desemprego continua crescente e, no curto prazo, não há sinais de reversão. Medidas importantes estão sendo tomadas, mas, provavelmente, serão perceptíveis apenas em 2018.

Os ventos estão mudando de direção, no entanto a crise ainda é uma dura realidade. A diminuição da inflação, por exemplo, se deve, em parte, pela perda do poder de consumo da população. Ou seja, ainda não há um sinal claro de recuperação. Não estou sendo pessimista ao afirmar isto, estou apenas apontando aspectos que podemos “explorar” para o próximo ano. Aliás, aproveitem a liberação do resgate total do FGTS (contas inativas) para quitar (ou negociar) suas dívidas ou aproveitem a oportunidade para investir – o calendário será liberado no mês de fevereiro.

Quanto aos investimentos…

Por esquecimento, perdi a data de renovação da assinatura do relatório de Microcaps da Empiricus. Assinei por dois anos seguidos e aprendi bastante. Porém, não estou certo de que o custo x benefício seja realmente compensador. O relatório é caro e o índice de acerto (ou eficiência) é um tanto questionável. Continuo assinando o relatório de Fundos Imobiliários e pretendo renovar por mais um ano. Em breve, compartilharei maiores detalhes sobre minha experiência com a Empiricus.

Já estou operando pela corretora Rico e em janeiro solicitarei a transferência da custódia da MyCAP também.

Recebi proventos de ABEV3, BBAS3, ITUB3, BRCR11 (0,787%), FCFL11B (0,629%), PQDP11 (0,551%), KNRI11 (0,662%), RNGO11 (0,835%), SAAG11 (0,723%), TRXL11 (1,011%), FVBI11B (0,634%), XPGA11 (1,084%), KNCR11 (0,885%), EDGA11B (0,615%) e HGRE11 (0,797%). O desempenho dos FIIs tem sido bastante estável, e o pior resultado foi do fundo PQDP11. Vale lembrar que o rendimento do fundo TRXL11 não é recorrente – o pagamento da multa devida pela empresa 2 Alianças contribuiu com o rendimento superior deste mês. O rendimento final da carteira foi reforçado com o pagamento de JCP (Juros sobre Capital Próprio) de ABEV3 e BBAS3.

Com o rendimento da própria carteira, somado ao capital que me prontifico separar para investir mensalmente, comprei mais ações ou cotas de IVVB11, ABEV3, ITSA3, BRCR11, KNRI11 e KNCR11. O menor aporte foi para o fundo KNCR11, nos demais a distribuição foi equilibrada. Aproveitei a desvalorização de ABEV3 para reforçar minha posição. Incluí à carteira algumas cotas do ETF que reflete o índice Americano S&P500 (IVVB11) – não requer mais perfil qualificado.

A composição atual ficou assim (gráfico do IrpfBolsa):

Para demonstrar mais detalhadamente a “evolução” da carteira, compartilharei o resultado do ganho por ativo (em relação ao preço médio):

Papel Preço médio Preço mercado % Setor
ABEV3 18,68 16,45 -11,97 Consumo não Cíclico
AGRO3 12,18 11,2 -8,09 Financeiro e Outros
BBAS3 17,07 28,1 64,61 Financeiro e Outros
BBSE3 27,52 28,38 3,09 Financeiro e Outros
BRCR11 99,53 95,5 -4,03 Financeiro e Outros
CARD3 3,46 4,97 43,43 Bens Industriais
EDGA11B 64,40 51,9 -19,42 Financeiro e Outros
EZTC3 13,00 15,8 21,48 Construção e Transporte
FCFL11B 1289,91 1780 37,99 Financeiro e Outros
FESA4 7,00 7,81 11,51 Materiais Básicos
FVBI11B 73,74 88,95 20,61 Financeiro e Outros
GRND3 17,90 17,75 -0,88 Consumo Cíclico
HGRE11 1282,68 1250 -2,54 Financeiro e Outros
ITSA3 7,89 8,09 2,44 Financeiro e Outros
ITUB3 25,28 30,99 22,54 Financeiro e Outros
IVVB11 79,87 76,41 -4,33 Financeiro e Outros
KNCR11 111,77 113,95 1,94 Financeiro e Outros
KNRI11 134,42 144 7,12 Financeiro e Outros
PETR3 9,35 17,3 84,83 Petróleo, Gás e Biocomb
PQDP11 1335,59 1999,99 49,74 Financeiro e Outros
PTBL3 2,61 2,09 -20,07 Construção e Transporte
RNGO11 75,67 79,99 5,70 Financeiro e Outros
SAAG11 97,78 118,49 21,16 Financeiro e Outros
TRXL11 67,88 58,49 -13,84 Financeiro e Outros
XPGA11 87,39 99,5 13,84 Financeiro e Outros

Observando a tabela acima, tornam-se evidentes os benefícios da diversificação. Porém, não se engane com uma simples análise isolada do ganho em relação ao preço médio. Apesar da Grendene (GRND3) encerrar com queda de 0,88%, por exemplo, os dividendos ou JCP distribuídos pela empresa converteram o resultado em lucro (não exibido na tabela). Daí a razão do Bastter sempre repetir que, para o holder, preço de compra não importa. No longo prazo, o preço médio real tende a zero – alguns aportes serão feitos com a remuneração da própria carteira.

Desde o início do mês, a tendência de alta da Bolsa de Valores perdeu força devido ao “estresse do mercado” (expectativa gerada com a vitória de Trump, por exemplo), levando a uma forte volatilidade. Ainda assim, o IBovespa encerrou o ano com alta de 39% (melhor resultado desde 2009).

Fiquei um pouco “surpreso” com a desvalorização das ações da Ambev, mas vejo como uma excelente oportunidade para novas entradas, visto que não há fundamentos que sustentem a queda.

Conforme exposto, a carteira apresentou um excelente resultado e continua superando minha expectativa. No entanto, é preciso ter consciência que, no curto prazo, oscilações são naturais e esperadas (com movimentos de repique, por exemplo). Dentro de uma tendência de alta, os papeis não se movimentam em linha reta.

Estou apenas demonstrando o potencial de crescimento, isto não é recomendação de investimento.