Bitcoin: Debate entre Ricardo Schweitzer e Fernando Ulrich

O assunto vem chamando a atenção cada vez mais, e já compartilhei a minha opinião. Até acredito que o momento possa ser realmente oportuno para especular, mas prefiro não mudar meu foco de investimento e também não acredito no futuro das criptomoedas (na forma como conhecemos hoje).

Existe uma diferença gritante entre investir e apostar.

Quer arriscar?
A escolha é sua,  mas faça de forma consciente (entenda os dois lados da moeda… risos)!

Cartão de crédito: Quando é vantajoso?

Eis que, durante a semana, no ambiente de trabalho, o assunto surgiu das cinzas novamente (risos) e, para variar, fui questionado sobre as razões que me levam “não expor as vantagens que o cartão de crédito pode oferecer“. Uma das alegações foi que o Bastter defende a utilização do cartão em seu livro, e nunca comentei sobre isto. Infelizmente, o ser humano têm maior predisposição para sempre focar naquilo que melhor lhe convém ou agrada, algo que influencia facilmente na interpretação do que é dito. Aliás, a afirmação do Bastter não foi um incentivo para utilização. Seja como for, não se iluda em acreditar que toda estratégia funcione igualmente para todos. Ironicamente, as vantagens do cartão de crédito são reais justamente para quem NÃO depende delas. Na realidade, as vantagens são proporcionais a renda: “quanto menor, pior“.

Ao contrário do que costumam repetir, o cartão de crédito é excelente para pessoas com renda alta! 😉

Grande parte dos educadores financeiros focam no pagamento á vista porque é uma conduta que retrata melhor a nossa realidade financeira, bem como a capacidade de planejamento. Parece tolice, mas diz muito sobre nossa capacidade de poupança também – algo que influenciará na regularidade e volume financeiro para investir. Logo, o volume em dinheiro aportado mensalmente depende da nossa capacidade de poupança. O esforço é, sem sombra de dúvidas, maior no início. Conforme exposto em inúmeros artigos, o esforço reduz ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, a recompensa se torna cada vez mais evidente.

Além dos custos, o cartão de crédito é um instrumento que tende nos afastar deste processo facilmente, pois, para “ser vantajoso”, induz à gastos constantes (tornando-nos devedores). O problema é que o benefício é proporcional aos gastos – um perigo para rendas mais baixas. E muitos insistem em dizer que recebem “prêmios” de graça (não é bem assim, risos). Dependendo da renda, manter o controle sobre a movimentação financeira será um grande desafio, exigindo cada vez mais.

Por não trabalhar com cartão de crédito, tanto eu quanto o meu pai NUNCA lançamos nossos gastos em planilha ou aplicação, mesmo investindo há décadas – cada um com sua particularidade (história de vida e perfil de investidor, por exemplo). Acreditem, o nosso controle é manual e baseado em consultas periódicas (bastante simples). É evidente que abrimos mão de muita coisa no início, mas o resultado tem sido recompensador. As pessoas que nos chamam de mão fechada (ou pão duro), são as mesmas que justificam que tivemos SORTE por ter uma vida “mais fácil” – preferem procurar justificativas para a nossa trajetória, do que entender o processo. Nem ligo, mas é irônico (risos)!

No mundo dos investimentos, existe um consenso de que o mais importante é exercitar o hábito de poupar e começar investir o quanto antes (com o que for possível, independente da renda) – como diria o Bastter: “taxa NÃO ganha de TEMPO“. Infelizmente, muitos brasileiros costumam generalizar conceitos específicos para qualquer estratégia, sem levar em conta que a faixa de renda influenciará na escolha mais adequada para cada momento da vida. O mesmo se aplica para quem vê no cartão de crédito uma alternativa de investimento, como é o caso de quem acredita que GANHARÁ uma viagem DE GRAÇA. Não passa de ilusão.

Ao afirmar que trabalhar com cartão crédito é algo aceitável para pessoas controladas, o Bastter não necessariamente incentivou sua utilização. Não é tão simples”

Confiram o quanto pode ser relativo:

Suponhamos um indivíduo (ou família) com renda mensal líquida de R$ 15.000,00 (MUITO ACIMA da média brasileira), resolva separar R$ 5.000,00 para despesas no cartão – terá uma bela pontuação, não é mesmo? Neste cenário, ainda estará tranquilo, com R$ 10.000,00 disponíveis para pagamentos à vista, investimentos ou imprevistos. Logo, mesmo com um gasto tão elevado (compatível com sua renda), o que sobra todo mês é simplesmente o DOBRO das despesas com o cartão – sua margem de segurança é gigantesca. Destes R$ 10.000,00 restantes, se “apenas” R$ 3.000,00 fossem investidos em um fundo extremamente conservador, ao final de 10 anos, este mesmo indivíduo teria acumulado aproximadamente R$ 550.000,00 (estimando apenas 0,65% ao mês) – tanto a capacidade para lidar com imprevistos quanto a tranquilidade serão cada vez maiores. No mês, ainda sobrariam R$ 7.000,00 para as demais despesas ou pequenas emergências. Para tornar a análise mais interessante, imagine o rendimento mensal dessa aplicação ao atingir R$ 550.000,00. Resumindo, trata-se de uma pessoa controlada e com renda alta. Percebam que, neste caso, acompanhar a movimentação financeira também não será trabalhoso.

No exemplo anterior, o benefício do cartão é real e nem caberia discussão sobre os riscos envolvidos.

Infelizmente, esta não é a realidade de grande parte da população. A estratégia demonstrada não pode ser reproduzida em qualquer faixa de renda. Engane-se como quiser. Para o benefício ser real, o gasto no cartão precisa ser significativo, podendo levar ao endividamento rapidamente. Percebam que R$ 5.000,00 é um gasto mensal relativamente elevado, mas representou apenas 1/3 da renda exemplificada. Assim, fica muito fácil explorar os benefícios do cartão.

Tente fazer o mesmo com uma renda inferior a R$ 3.000,00
Seu controle não será o mesmo, pode apostar! 😉

Utilize, preferencialmente, em caso de emergência. Fora isto, evite ao máximo!

Um ótimo final de semana!

Bitcoin cai bruscamente após reportagem de jornal na China

Resolvi compartilhar um artigo recente da Exame que demonstra claramente o que costumo alertar. Apesar de tudo, perto da volatilidade padrão desta moeda, a queda atual não impressiona tanto.

Essa historinha de que autoridades não podem fazer nada é pura ilusão. Se as especulações causam estrago desta dimensão, imaginem fatos concretos… Você pode achar que é capaz de antecipar qualquer mudança efetiva, porém quem vai lhe avisar quando acontecer?

A escolha é pessoal. Mas, saibam exatamente onde estão se metendo!
http://exame.abril.com.br/mercados/bitcoin-cai-bruscamente-apos-reportagem-de-jornal-na-china/

Cashback: Sistema que devolve parte do dinheiro aos consumidores

O Cashback (ou dinheiro de volta, em português) é um sistema que vem ganhando força e chamando bastante atenção no e-commerce brasileiro, mas será que vale a pena? Quase tudo que influencia nas relações de consumo e finanças é difícil de ser mensurado, pois varia de pessoa para pessoa. Ou seja, quanto maior o seu ímpeto consumista, melhor para o sistema e pior para você (risos).

Através dele, você recebe um percentual do valor da compra de volta. Inicialmente, faz pensar que existe algo de errado (como um possível golpe), mas é completamente legal e “funciona mesmo”. Na prática, segue uma lógica semelhante de um sistema de afiliados, porém com um poder de persuasão infinitamente maior.

Não se iluda, nem tudo são flores!

Entendam que ninguém, neste mercado, está interessado em fazer caridade (isto não existe). Neste modelo de negócio, o objetivo do empreendedor é fazer uma parceria com grandes lojas (como Walmart e Netshoes, por exemplo) ou postos de gasolina e, a partir de um forte esquema de publicidade, ganhar um percentual sobre as vendas efetuadas a partir de seus anúncios. Tudo bem, mas qual a relação com o cashback? Algumas empresas, como BeBlue e Méliuz (por exemplo), fazem este papel e compartilham parte do lucro com seus clientes. É desta maneira que o sistema funciona e se mantém.

Não é um sistema muito novo, porém nunca dei muita atenção. Procuro evitar sistemas que estimulam o consumo, principalmente quando envolve “recompensa”. Neste caso, o efeito psicológico costuma ser forte. Você acaba entendendo que existe um consumo regular necessário e poderá ser recompensado pelo sistema de cashback naturalmente, visto que alguns gastos são inevitáveis. De certa forma, isto é verdade. Porém, estabelecer limites pode não ser tão simples. O problema é que também receberemos “excelentes ofertas” que não acompanharíamos no dia a dia. Se ganhamos com o consumo, as empresas de cashback ganham muito mais. Perceberam o que alimenta este mercado? É como se você autorizasse spam diretamente nos apps de seu dispositivo móvel (em tempo integral) – e, muitas vezes, a partir de múltiplos aplicativos. Imagine agora quando as ofertas são direcionadas, de acordo com seu perfil de pesquisa. Haja controle.

A partir de um convite de um amigo, resolvi testar o Méliuz. Estímulo não falta. Você ganha até com indicação, mas o seu ganho será real após a primeira compra efetuada pela pessoa indicada. Pois é, o efeito psicológico é tão forte, que, logo após fazer o cadastro, também enviei um convite para minha namorada. Existe apenas um “probleminha” (risos): “estou trabalhando o lado consumista dela (era forte, e esqueci deste PEQUENO detalhe)“. Não demorou muito e comecei receber bastante oferta tentadora (aleatoriamente). São tão prestativos… Como se não bastasse, isto acontece diariamente. Uma hora depois de enviar o convite, percebi a enrascada que me meti. Agora meu trabalho de conscientização será dobrado. Quem mandou agir no impulso (risos).

Vejam como é tão lindo… 😉

O Cashback é um sistema tentador e oferece vantagens reais, mas deve ser utilizado com inteligência.

Recomendo apenas para quem for capaz de impedir que o sistema influencie nas decisões de consumo.

Como qualquer outro sistema de recompensa baseado em consumo, induz ampliar os gastos para tornar a “vantagem visível” – natural, pois é disto que estas empresas sobrevivem (quanto maior o consumo, “melhor”). No meu entendimento, para atingir um padrão de vida mais tranquilo, devemos fazer o inverso. Ou seja, diminuir o consumo e investir cada vez mais. Com o passar do tempo, os investimentos geram uma renda passiva real e sistemas de recompensa deixam de fazer diferença. Só assim você pode dizer que ganhou dinheiro de verdade.

A dica é: O Cashback pode ser vantajoso, apenas não gaste desenfreadamente na busca de alguns trocados. Compare os preços sempre.

Será que devo investir em criptomoedas?

Durante as últimas semanas (quase regularmente), minha caixa de e-mail tem sido bombardeada por propagandas envolvendo estratégias de ganho rápido com as criptomoedas, incluindo projeções de ganho de até 15.000%. A decisão de investimento é algo muito pessoal e o que costumamos fazer é mostrar apenas o caminho para que a escolha seja a mais consciente possível. Nada além disto. Como tenho presenciado o interesse súbito de pessoas que nunca investiram antes e a tentativa, questionável, da Empiricus em refutar qualquer possibilidade de bolha (por benefício próprio), resolvi abordar o assunto de uma maneira diferente.

A primeira pergunta é: Será que estamos diante de outra grande bolha?

Ninguém sabe ao certo, nem mesmo a Empiricus. Entretanto, é importante frisar que existem características marcantes sinalizando uma forte possibilidade.

Você realmente sabe o que é uma bolha especulativa? Não é preciso aprofundar muito, uma consulta rápida na Wikipedia já esclarece o básico e essencial: “Uma bolha especulativa, bolha financeira, bolha econômica, entre outros nomes, é uma situação na qual o valor de um ativo se desvia fortemente do valor intrínseco correspondente desse mesmo ativo. Tal situação pode também ser descrita como uma situação em que os preços dos ativos parecem basear-se em uma visão distorcida ou inconsistentes sobre o futuro. Preços em uma bolha econômica podem flutuar de forma irregular, e torna-se. impossível prever a capacidade de oferta e demanda sozinho“.

Agora, sejamos realistas… não há nada de familiar acontecendo? Podemos julgar que oscilações próximas de R$ 10.000, em dois meses, são esperadas e “saudáveis”? Como diria o Bastter: “engane-se como quiser!“.

É possível lucrar com este movimento eufórico? É evidente que sim (e de diferentes maneiras), mas será que você tem experiência e habilidade suficientes para lidar com isto? Conhecer os riscos não é o suficiente. Não acredite que o sucesso de uma operação depende APENAS de identificar o momento exato de compra e venda – aliás, é outra ilusão. Do contraŕio, é provável que você seja surpreendido no futuro. Caso a bolha se confirme, por exemplo, o impacto sobre a carteira dependerá do grau de exposição e capacidade de encerrar a posição antecipadamente. E, para o azar de muitos, não é tão simples quanto parece. Muitas pessoas não conseguem sequer perceber a diferença entre investir e apostar. O estrago tende ser maior quando as duas coisas se confundem (investir e apostar).

O meu objetivo, por exemplo, é acumular patrimônio diversificado em valor (Holder). Ou seja, preciso lidar com ativos estáveis e que inspirem o maior grau de confiança “possível”, mesmo lidando com diferentes níveis de risco (o importante é que tenho como avaliar). Neste quesito, hoje, as criptomoedas não passam de uma aposta – não há elementos concretos que permitam fazer avaliação confiável de valor (sei apenas que flutua loucamente, diferente de qualquer outra moeda). Investir em criptomoedas também significaria diminuir ou deixar de aportar em ativos que demonstram um potencial de evolução sólido e consistente. Uma simples mudança de atitude parece algo inofensivo, mas é o suficiente para mudar o nosso foco. Não é algo que desejo.

Talvez, alguns leitores até questionem a operação arriscada que fiz com Opções no mês passado. Por incrível que pareça, é diferente. Apesar de ter sido uma pequena “aposta”, existia embasamento forte para a escolha. As empresas não foram escolhidas aleatoriamente. Diante de denúncias gravíssimas no cenário político, houve uma forte desvalorização de excelentes ativos (contrariando o resultado financeiro). Sabendo que, no longo prazo, cotação segue lucro, pude enxergar algumas assimetrias interessantes (mesmo sem procurar) – em ativos que já sou sócio e acompanho há muito tempo. Esperei o mercado acalmar um pouco antes de iniciar um position trade, prevendo ainda a possibilidade de exercer. Contei com artifícios do mercado para reforçar minha carteira. A operação foi lucrativa, possibilitando uma capacidade de aporte ainda maior no mês passado. Não deixei de atuar como holder. Perceberam a diferença?

Na semana passada, ao acessar o facebook, pude observar uma discussão “interessante” sobre trade com BTC. Alguém comentou, na postagem de um amigo, que havia “finalizado uma operação com BTC para realizar lucro” – dois face traders (risos). O primeiro problema é que não se discute estratégia de trade em rede social, até porque poderia afetar na eficiência (ao tornar público). Em relação ao meu amigo, a escassez de tempo livre é outro aspecto que influenciará negativamente, pois comprometerá na agilidade de reação. A discussão em si foi o que mais chamou atenção. A resposta dada para a operação foi: “Não, você não pode vender… está barato ainda“. Pronto, a partir daí, não existe mais uma estratégia. Certamente, virou torcedor. Parece tolice, porém confundirá na forma como nos posicionamos. Diante de uma situação como esta o custo do aprendizado só dependerá de você, e o tombo costuma ser grande! 😉

Quem está correto? Não importa… Apenas preserve o seu patrimônio.
Ganhar dinheiro é relativamente difícil, mas perder é extremamente fácil!

A grande questão não está nas criptomoedas, mas sim na tecnologia que existe por trás. Tudo isto é uma opinião pessoal, claro. Duvido que os Bancos deixem de existir. É muito mais provável que os Bancos ofereçam produtos integrados ao Blockchain (ou tecnologia similar), do que sejam substituídos. Existe uma questão de PODER que é muito forte“.