Resultado do mês de maio (2018)

O mês de maio encerrou quebrando recordes de “agitação” (rompeu qualquer expectativa), principalmente nas últimas semanas (com a greve dos caminhoneiros). Confesso que estava preparado para lidar com fortes turbulências, no entanto não imaginava que seriam tão agressivas. A situação do país é delicada e, no curto prazo, não vejo uma solução efetiva ou eficaz – o sentimento de incerteza prevalece (algo prejudicial para a economia). Apesar da agitação, não precisei lidar com grandes imprevistos. Sem muitas delongas, vamos aos resultados.

O cenário político-econômico continua extremamente turbulento, sendo agravado com a greve dos caminhoneiros. É evidente que a forte mobilização popular se deu pelo desgaste com as altas cargas tributárias (uma das maiores do mundo), corrupção e ineficiência do Estado. Há razão para tanto descontentamento, porém…

Todos nós almejamos um país melhor e mais justo para viver, mas a vitória será tangível apenas com a conquista de um Estado menor e com a redução tanto dos gastos públicos como dos benefícios adicionais de inúmeros cargos do funcionalismo público – algo que, infelizmente, não acontecerá no curto prazo. Sem mudar este cenário, qualquer prejuízo causado aos cofres públicos será repassado diretamente a população.

Deixo, portanto, uma reflexão: “a greve, além de causar diferentes prejuízos ao país, mudou o cenário descrito?” Pode ser difícil aceitar, mas a resposta é NÃO.

Confiram um estudo do salário básico do parlamentares em proporção da renda média de cada país:

Não é sabotando o setor produtivo ou massacrando outros brasileiros que conquistaremos nossos objetivos. Se analisarmos friamente, o pequeno produtor pode não resistir aos prejuízos causados e o grande, que é mais resiliente, simplesmente repassará a diferença ao consumidor. Isto sem falar nos movimentos oportunistas que surgiram (pró-esquerda/pró-Lula, fora Temer e intervenção militar). No balanço final, conferimos grandes prejuízos e inúmeros brasileiros sendo lesados ou castigados de alguma forma.

Particularmente, entendo que ampliamos a crise político-econômica.

Como se não bastasse, parte da população clamou – e ainda clama – por Intervenção Militar, mesmo desconhecendo a diferença em relação a Intervenção Federal (como ocorreu no RJ). Novamente, entendo não ser a melhor opção. Desejar isto, neste momento, pode “decepcionar” inúmeros brasileiros: “a primeira ação das forças armadas é fazer valer a lei e a ordem, conforme observamos no caso das escoltas de caminhões tanque (foi correto) – neste caso, não existe espaço para o jeitinho brasileiro“. Por servir como defesa nacional, as forças armadas não costumam ser muito flexíveis em suas negociações. Uma vez que assumam o poder, reverter o quadro não será uma tarefa simples.

A grande insatisfação é compreensível, mas é preciso agir racionalmente e com inteligência. Apesar do tom irônico do vídeo a seguir, julgo que a abordagem foi bastante coerente:

Como prevalece o clima de incertezas, a expectativa sobre a economia brasileira torna-se mais instável. É evidente que o efeito sobre o mercado de capitais foi imediato. As principais estatais simplesmente “derreteram”, principalmente a Petrobras – aliás, para aumentar a tensão, o mês de junho começou com o pedido de demissão de Pedro Parente (até então presidente da estatal). O índice IBov apresenta o pior resultado de 2018.

Como se não bastasse, tudo isto ocorreu pouco tempo após o anúncio da manutenção da taxa básica de juros brasileira, em função da dificuldade de manter a inflação sob controle. Achou pouco? Some agora o aumento da taxa de juros americana. Juntos, tais acontecimentos foram suficientes para que investidores reduzissem sua exposição em ativos de maior risco. E, com isto, o país também perdeu capital estrangeiro. Pois é, a questão é mais complexa que aparenta.

Acabei prolongando o assunto… Entendo que o momento, além de delicado, pede maior atenção e reflexão. Vale lembrar que estamos há poucos meses das eleições presidenciais. Sejamos conscientes e racionais! 😉

Confiram os principais números e acontecimentos que sacudiram o país e o mundo:

O mẽs também surpreendeu com a agitação de dois “grandes” Bancos Digitais:

– O Banco Inter, poucos dias após seu IPO (abertura de capital – Oferta Pública Inicial), foi alertado do vazamento de informações cadastrais de seus clientes. O Banco negou o incidente, mas o portal TecMundo alega que, após receber parte da lista, pôde confirmar a veracidade das informações ao contactar alguns clientes. Ainda assim, os mais entusiastas resistem em acreditar. Complicado.

– Incrivelmente, na mesma semana, após a liquidação extrajudicial do Banco Neon, muita gente ficou desesperada, principalmente quem tinha dinheiro investido no CDB do Neon (o jeito foi aguardar a ação do FGC – Fundo Garantidor de Crédito). Abriu um sinal vermelho (ou, pelo menos, alerta) para os Bancos Digitais.

O mercado de criptomoedas continua tenso, apresentando forte volatilidade (nada muito diferente do esperado). O grande problema é que muitos brasileiros foram movidos pelo momento de euforia, quando atingiu a máxima histórica no fim de 2017, e agora estão inseguros em relação ao valor real. Sinceramente, já desisti de comentar – cada cabeça, uma sentença.

O mês terminou um pouco apertado; nada que tirasse meu sossego. Felizmente, posso afirmar que foi tranquilo, sem grandes imprevistos. Como solicitei o MEI (Microempreendedor Individual) no final de abril, em maio precisei pagar a primeira mensalidade do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Ainda não gerei nenhuma NFse (nota fiscal de serviços) porque tentei concluir toda formalização com a Prefeitura Municipal eletronicamente. Realmente, confirmou o que escrevi em artigos anteriores: “na maioria das vezes, é preciso dirigir-se até a Prefeitura de seu município“. Além disto, também dei uma apoio para a revisão do carro de minha namorada.

Quanto aos investimentos…

Mantenho em aberto a operação com opções (CALL) do Banco do Brasil (BBAS3). Estou aguardando o melhor momento – se é que ainda existe – para fechar a posição. O resultado só não foi pior porque aproveitei a queda brusca das ações da Petrobras para fazer um daytrade. O momento foi oportuno e consegui o ganho de R$ 1 por ação. No final, um esforço acabou anulando o outro. Em função do elevado grau de incerteza, encerro por aqui qualquer tentativa de especulação direta

Recebi proventos de ITUB3, ODPV3, GRND3, CRFB3, PETR3, BBAS3, BRCR11 (0,261%), FCFL11 (0,528%), PQDP11 (0,401%), KNRI11 (0,491%), RNGO11 (0,594%), SAAG11 (0,634%), GGRC11 (0,599%), MXRF11 (0,551%), KNCR11 (0,553%), HGRE11 (0,528%) e FIGS11 (0,860%). O desempenho dos FIIs permanece estável, com uma leve melhora. A situação do fundo BRCR11 permanece uma incógnita, mantendo o pior resultado da carteira. Infelizmente, algumas mudanças no cenário político-econômico provocaram insegurança e, por consequência, queda de preços dos principais ativos negociados na Bolsa de Valores. O rendimento mensal da carteira foi excelente, superior ao mês anterior. Aliás, contei com reforço do pagamento de dividendos e JCP de ITUB3, ODPV3, GRND3, CRFB3, PETR3 e BBAS3.

“A Petrobras surpreendeu com pagamento de JCP, pois há muito tempo não se via em condições. Até o momento da apuração, minha posição em ODPV3 era muito pequena (ainda estou reforçando), portanto o dividendo recebido praticamente não altera em nada o resultado da carteira. Os melhores retornos foram do Bando do Brasil e da Grendene. Infelizmente, acredito que a Petrobras será mais cautelosa nas próximas distribuições (caso faça).

Com o rendimento da própria carteira, somado ao capital que me prontifico separar para investir mensalmente, comprei mais ações ou cotas de ODPV3, EZTC3, BBASF388 (CALL de BBAS3), BRCR11 e KNRI11. O maior aporte foi para ODPV3 – conforme exposto anteriormente, pretendo reforçar minha posição (não significa que farei de uma vez). Para os demais ativos, a distribuição foi equilibrada. O menor aporte foi em BBASF388, mas não teria feito caso “suspeitasse” dos acontecimentos recentes. Consegui reverter a perda das opções com uma operação de daytrade em PETR3. Francamente, pelo esforço e risco, seria melhor não ter especulado desta forma. Mesmo sem entrar em maiores detalhes, se você acha que é fácil fazer trade, fica a dica (risos) – fácil seria compartilhar apenas os acertos!

Confiram a distribuição dos ativos, segundo o portal CEI (NÃO inclui o Fundo DI):
A composição atual ficou assim (gráfico do IrpfBolsa):
Vale lembrar que o gráfico acima representa uma distribuição baseada no custo de aquisição, não no valor de mercado

Talvez vocẽs tenham percebido que, nos últimos resultados, a conclusão vinha sendo bastante semelhante. Desta vez, sinto informar que as mudanças no cenário político-econômico brasileiro tornaram a expectativa menos otimista e sob um ambiente cada vez mais nebuloso.

Não preciso dizer que o valor de mercado da carteira caiu bastante. Cada um pode buscar inúmeras justificativas para queda de preços no mercado de renda variável, mas o que está acontecendo é uma mudança natural de interesse e, em função de tantas incertezas (cenário macro), é compreensível a busca por opções de investimentos mais seguros. Vale ressaltar que é importante ter consciência que, no curto prazo, oscilações são naturais e esperadas (com movimentos de repique, por exemplo). Ainda assim, o momento pede cautela e controle emocional. Não aja por impulso.

Em relação a greve dos caminhoneiros há diferentes opiniões. O jeito é aguardar e analisar o resultado – contra fatos não há argumentos. No meu entendimento, o tiro saiu pela culatra. Tentei justificar o meu pensamento logo no início. Apesar da grande insatisfação com o Governo atual (prestes a terminar), a crise estava sob controle. A grande expectativa era quanto ao próximo Governo. Com os últimos acontecimentos, sejam eles internos ou externos, a visão já não é a mesma. É provável que encontremos mais dificuldade para manter a inflação sob controle – que, caso se confirme, aumentará o interesse por aplicações indexadas a Selic. Particularmente, preferia ver a economia crescendo, com redução do índice de desemprego e crescimento gradativo das empresas – assim, o resultado da carteira de renda variável seria MUITO superior e o país ofereceria condições melhores a todos.

Seja um holder de verdade…
Agora seremos testados, estejam preparados! 😉

Estou apenas demonstrando o potencial de crescimento, isto não é recomendação de investimento.

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